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A fadiga da fertilidade é o esgotamento emocional, físico e psicológico que surge ao longo dos tratamentos de reprodução assistida. Em alguns casos, leva casais a interromper o percurso antes de esgotarem as possibilidades clínicas. Em plena época de férias, a psicóloga clínica Ana Luísa Alves, da Procriar, defende que a pausa e o descanso podem fazer parte do próprio tratamento.
O impacto psicológico dos tratamentos
A infertilidade e os tratamentos de reprodução assistida podem afectar de forma significativa a saúde mental. Segundo a autora, a literatura científica mostra que o stress emocional, a ansiedade e a depressão são mais frequentes nestes casos. Ou seja, surgem mais do que entre quem concebe naturalmente.
Cerca de 4 em cada 10 mulheres em tratamento apresentam ansiedade (41%) e depressão (42%), refere. Já nos casais que procuram tratamento, a prevalência de depressão varia entre 15% e 54%. Por sua vez, a ansiedade clinicamente significativa situa-se entre 8% e 28%.
Os momentos de maior sofrimento concentram-se na punção folicular e na espera pelo resultado do teste de gravidez. Além disso, cada ciclo tende a ser acompanhado por esperança e, por vezes, frustração.
A pressão para «fazer tudo corretamente» também pesa. Juntam-se-lhe a sensação de falha do corpo, o medo de perder a janela de oportunidade e a exaustão de conciliar consultas, medicação e trabalho. Assim, instala-se um estado de fadiga da fertilidade.
Fadiga da fertilidade: o descanso como parte do tratamento
Para a psicóloga, o descanso estratégico deve integrar o plano terapêutico. Contudo, não se resume ao sono. Inclui pausas intencionais, momentos de lazer e redução da sobrecarga laboral. Inclui ainda espaço para o casal se reencontrar para além do projecto parental.
A evidência indica que o apoio social e as estratégias de coping adaptativas melhoram a qualidade de vida. Além disso, reduzem o sofrimento emocional durante o percurso.
As férias funcionam como uma estratégia útil. Permitem reduzir a activação constante do sistema de stress. Também ajudam a quebrar o ciclo esperança–frustração e a reforçar a relação do casal. Por fim, dão clareza para decisões futuras: continuar, fazer uma pausa mais longa ou repensar o projecto parental.
Um casal esgotado emocionalmente decide a partir do medo e da exaustão. Em contrapartida, um casal em equilíbrio poderá decidir com maior clareza e pragmatismo.
Fadiga da fertilidade: pausar não é desistir
O sentimento de corrida contra o tempo é real para muitos casais com desafios de fertilidade. Ainda assim, uma pausa temporária nem sempre compromete o processo. Por isso, a autora recomenda avaliar o bem-estar emocional em conjunto com a equipa clínica. Depois, o casal deve discutir pausas estratégicas com essa mesma equipa. O descanso pode ser uma decisão clínica e de autocuidado, e não um sinal de desistência.
Por Ana Luísa Alves, Psicóloga Clínica da Procriar
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