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Tiago Macena é oficialmente Master of Wine (MW). O Institute of Masters of Wine anunciou os sete novos membros a 20 de Agosto de 2026. Entre eles está, pela primeira vez, um português. O enólogo da Código, no Dão, e da Tarelo Wines, nos Açores, conclui assim um percurso de mais de uma década de estudo, provas cegas e investigação.
Um percurso iniciado em 2012
Natural da Guarda e residente em Viseu, Tiago Macena tem 43 anos. Candidatou-se ao programa do Institute of Masters of Wine em Setembro de 2012. Nesse ano, 24 candidatos realizaram a prova de admissão em Portugal. Apenas nove foram aprovados. Ele estava entre eles.
Em Janeiro de 2014 interrompeu a inscrição, para se dedicar à vida profissional e familiar. Depois, em Setembro de 2017, retomou o programa. Já em 2023 tornou-se o primeiro português a superar o exame prático. Faltava então a última etapa: um trabalho de investigação. Este incidiu sobre a importância da casta Encruzado para a Região do Dão.
O interesse pelo título nasceu em 2009. Nessa altura, enquanto enólogo no Dão, participou numa reunião com dois Masters of Wine estrangeiros. Estes especialistas identificavam e contextualizavam um vinho apenas pela prova. Por isso, decidiu conhecer melhor o instituto.
Master of Wine: uma das distinções mais exigentes do sector
As provas do Master of Wine combinam duas componentes. Por um lado, provas cegas de vinhos de diferentes origens e estilos. Por outro, avaliações escritas sobre viticultura, enologia, qualidade, produção, negócio e temas contemporâneos do vinho. Finalmente, o percurso termina com a aprovação de um trabalho de investigação.
Com os sete novos membros anunciados pelo Institute of Masters of Wine, existem actualmente 427 Masters of Wine no mundo, de 31 países. Além disso, Portugal e a Hungria passam a estar representados pela primeira vez.
«É difícil resumir mais de uma década de estudo, provas, viagens, trabalho e muitas dúvidas num único momento. A conclusão deste caminho representa, naturalmente, uma enorme conquista pessoal e profissional, mas representa também um momento muito especial para o vinho português e para todos os que trabalham diariamente para dar a conhecer a sua diversidade e qualidade», afirma Tiago Macena.
Do Dão aos Açores
Tiago Macena cresceu profissionalmente no Dão. Na Código, onde é parceiro e enólogo, trabalha a identidade e o potencial da região. Dedica particular atenção às castas autóctones, sobretudo à Encruzado e aos vinhos brancos do Dão. A região tem reforçado, aliás, a sua projecção externa, como mostrou a presença dos vinhos do Dão em Paris.
É também enólogo da Tarelo Wines, projecto no Pico, nos Açores. Este território é marcado pela viticultura atlântica e pelas características vulcânicas do solo. Os vinhos Tarelo já inspiraram cartas de restaurante nos Açores. Passou ainda pelo Alentejo.
A divulgação dos vinhos portugueses tem sido feita em conjunto com várias entidades. Entre elas contam-se as Comissões Vitivinícolas Regionais do Dão, da Beira Interior e da Bairrada, a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, a ViniPortugal e a Revista de Vinhos. Segundo o próprio, o objectivo a partir de agora é claro: continuar a estudar, produzir e comunicar o vinho português.
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A agenda cultural portuguesa segue igualmente activa. Em Setúbal, por exemplo, decorre a Festa do Teatro, com 23 espectáculos até 29 de Agosto de 2026.






