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Reclamações sobre recalls automóveis sobem 459% em 2026

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As reclamações sobre recalls automóveis em Portugal aumentaram 459% no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Portal da Queixa.

Entre janeiro e junho foram registadas 123 reclamações, contra 22 no mesmo período de 2025.

O aumento coincide com novas regras aplicáveis às inspecções periódicas e com a criação de uma plataforma nacional para consulta de campanhas pendentes.

Contudo, o Portal da Queixa considera que a subida não demonstra, por si só, uma degradação generalizada da actuação das marcas.

A maior visibilidade dos recalls e a identificação de campanhas desconhecidas pelos proprietários terão contribuído para o crescimento das queixas.

Em 2019, a plataforma já tinha assinalado 101 mil reclamações, o que mostra a dimensão do fenómeno das queixas de consumo em Portugal.

Recalls automóveis em Portugal aumentam após novas regras

Os recalls são procedimentos gratuitos através dos quais os fabricantes convocam os proprietários para corrigir defeitos ou anomalias em veículos já comercializados.

Estas situações podem envolver riscos para a segurança dos ocupantes, de outros utilizadores da estrada ou para o ambiente.

Em 2025, o Portal da Queixa recebeu 64 reclamações relacionadas com recalls automóveis. O número representou um aumento de 10,34% face às 58 queixas registadas em 2024.

Porém, a subida tornou-se mais expressiva durante os primeiros seis meses de 2026.

Cerca de 32,5% das reclamações apresentadas este ano referem a inspecção periódica obrigatória.

Além disso, em aproximadamente 10% dos casos, os proprietários afirmam ter descoberto a existência de um recall durante a própria inspecção.

Segundo a informação divulgada, desde 1 de março de 2026, um veículo com um recall pendente pode reprovar na inspecção.

Esta regra terá permitido detectar situações que permaneciam desconhecidas pelos actuais proprietários.

Plataforma RECALL reforça consulta de campanhas

A criação da plataforma nacional RECALL aumentou também a visibilidade das campanhas de reparação.

A ferramenta foi desenvolvida pela Associação Automóvel de Portugal, em parceria com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes.

Através da matrícula ou do número de identificação do veículo, conhecido como VIN, os cidadãos podem verificar a existência de campanhas pendentes.

As marcas devem contactar directamente os proprietários identificáveis através de meios considerados eficazes.

Entre estes meios encontram-se a carta, o correio electrónico, o telefone e as mensagens SMS.

No entanto, as mudanças de propriedade podem dificultar o contacto quando os dados dos titulares não estão actualizados.

Ainda assim, os fabricantes mantêm a responsabilidade de divulgar os recalls publicamente e assegurar a reparação sem custos para o proprietário.

Falta de peças e atrasos concentram reclamações

Depois de identificarem um recall, vários condutores relatam dificuldades na concretização da reparação.

As reclamações incluem atrasos, falta de peças, problemas no agendamento e ausência de resposta por parte das marcas ou oficinas.

A categoria Produto e Reparação representa 62,02% das ocorrências.

Neste grupo estão incluídos defeitos, indisponibilidade de componentes e reparações consideradas inadequadas.

Por sua vez, os problemas relacionados com Serviço e Atendimento correspondem a 24,03% das reclamações.

Os consumidores referem falta de apoio, comunicação insuficiente e períodos prolongados de espera.

As questões de Segurança e Conformidade Legal representam 10,08% dos casos.

Já as reclamações sobre Garantias e Obrigações Contratuais correspondem a 3,88%.

Estas últimas incluem alegadas falhas no cumprimento de prazos ou nas condições de cobertura.

Recalls automóveis em Portugal: Lisboa e Porto lideram queixas

Lisboa reúne 22,48% das reclamações registadas, enquanto o Porto representa 18,60%.

A maioria dos reclamantes é do sexo masculino, correspondendo a 72,09% dos casos.

A faixa etária com maior incidência situa-se entre os 35 e os 54 anos.

Os dados devem, contudo, ser interpretados como reclamações submetidas à plataforma e não como um levantamento completo de todos os recalls existentes em Portugal.

Também não permitem concluir que todas as situações relatadas correspondam a incumprimentos confirmados pelas autoridades competentes.

Portal da Queixa pede maior eficácia nos processos

Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, considera necessário analisar todo o sistema de execução dos recalls.

“Mais do que apontar responsabilidades de forma automática, é fundamental olhar para o ecossistema como um todo”, afirma.

O responsável reconhece a existência de falhas quando as marcas não respondem, não dispõem de peças ou atrasam as reparações.

Contudo, destaca também as dificuldades em localizar os proprietários actuais de veículos que mudaram de titular.

“O desafio passa por reforçar a eficácia dos processos, garantindo uma comunicação clara, respostas atempadas e capacidade de execução adequada”, acrescenta.

Segundo Pedro Lourenço, estes elementos são essenciais para proteger a segurança rodoviária e manter a confiança dos consumidores.

O aumento das reclamações reflecte, assim, uma combinação entre maior fiscalização, mais informação disponível e dificuldades na execução de algumas campanhas.

Para os condutores, a consulta regular de campanhas de recalls automóveis em Portugal e a actualização dos dados de contacto tornam-se particularmente relevantes.

 

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