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A Associação RESPIRA e o Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA) lançaram uma campanha nacional de sensibilização para a vacinação contra a Covid-19, com o mote «Se não quer voltar a parar, é altura de se vacinar». A iniciativa tem o apoio da HIPRA Portugal e decorre durante a campanha de vacinação sazonal de Outono-Inverno 2026-2027.
A mensagem da campanha recupera a experiência colectiva da pandemia para sublinhar que, embora não haja confinamentos generalizados, uma infecção por Covid-19 pode obrigar a uma paragem individual, com efeitos na saúde, no trabalho, na vida familiar e na autonomia. As promotoras afirmam que o vírus não desapareceu e que a vacinação continua a ser a medida mais eficaz para reduzir o risco de doença grave.
Para Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e director da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, não se pode confundir o fim da emergência pandémica com o fim do risco. O responsável sublinha que uma infecção pode comprometer o equilíbrio de uma doença crónica até então controlada e que mesmo a população saudável pode desenvolver complicações.
Adesão em queda admitida pela própria DGS
A campanha surge num contexto de quebra na adesão. A directora-geral da Saúde admitiu publicamente a existência de hesitação vacinal na Covid-19, referindo uma descida de cerca de dez pontos percentuais, ao contrário da vacinação contra a gripe, que tem permanecido relativamente estável.
Ao mesmo tempo, a estratégia oficial estreitou-se. Para 2026-2027, a Direcção-Geral da Saúde direccionou a vacinação contra a Covid-19 para os grupos com maior risco de doença grave, hospitalização e morte, e o limiar etário da recomendação sazonal subiu dos 60 para os 70 anos, mantendo-se a vacinação de pessoas com patologias associadas a maior risco e de residentes em contextos vulneráveis. A campanha começou a 30 de Setembro de 2026 e decorre até 31 de Março de 2027.
A Norma n.º 007/2026, de 17 de Setembro, fixa o esquema vacinal sazonal em uma dose de Comirnaty XFG, com dosagem ajustada à idade. A vacinação decorre nos centros de saúde para todos os elegíveis e nas farmácias comunitárias para quem tenha entre 70 e 84 anos, independentemente de patologias, ou entre 18 e 69 anos com patologias de risco.
Doentes crónicos no centro do argumento
As promotoras invocam o peso da doença crónica em Portugal para justificar a urgência da prevenção. Segundo o INE, 42,3% das pessoas com 16 ou mais anos declararam, em 2024, ter doença crónica ou problema de saúde prolongado, mais 10,2 pontos percentuais do que em 2004, condição mais frequente nos idosos (68,1%) e nas mulheres (45,9%). Na comparação europeia, com dados de 2023, Portugal era o terceiro país da UE-27 com maior proporção de pessoas nesta situação, com 44,5% contra uma média europeia de 35,1%.
José Albino, presidente da Associação RESPIRA e coordenador do MOVA, defende que Portugal tem de construir na idade adulta a mesma cultura de prevenção que conseguiu na vacinação infantil, e que a vacinação deve ser encarada como um investimento em saúde ao longo da vida.
O que a campanha pede
As duas organizações apelam a que as pessoas esclareçam dúvidas junto dos profissionais de saúde e verifiquem a sua elegibilidade face às recomendações em vigor, sobretudo quem vive com doença respiratória crónica, diabetes, doença cardiovascular ou imunossupressão.





