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VSR: um risco subestimado para a saúde cardiovascular

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Uma Declaração de Consenso Clínico da Sociedade Europeia de Cardiologia alerta para o impacto do vírus sincicial respiratório (VSR) em doentes cardiovasculares e reforça a importância da vacinação.


Infeções respiratórias e risco cardiovascular

O impacto da gripe nas pessoas com doenças cardiovasculares fundamenta a recomendação da vacina antigripal para este grupo de risco. A pandemia de COVID-19 confirmou que outras infeções virais também agravam a saúde cardiovascular.

No entanto, a evidência científica vai além destes exemplos. Uma recente Declaração de Consenso Clínico da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) destaca que a vacina contra o vírus sincicial respiratório deve igualmente ser recomendada.

Segundo o documento, infeções respiratórias como o VSR podem agravar a insuficiência cardíaca e aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves. Assim, a vacinação assume-se como um pilar fundamental da prevenção cardiovascular, ao nível de outras medidas já estabelecidas.


Dados nacionais reforçam a gravidade do VSR

As conclusões da ESC alinham com dados observados em Portugal. O único estudo nacional sobre o impacto do VSR em adultos, realizado em contexto hospitalar, revelou um peso superior ao da gripe em vários indicadores.

Apesar de apresentar menor prevalência do que a Influenza, o VSR esteve associado a maior mortalidade hospitalar, 20 % face a 13 % na gripe. Além disso, os custos diretos por hospitalização foram mais elevados, 4.757 euros no caso do VSR contra 3.537 euros na Influenza.

Estes resultados, referentes ao período entre abril de 2018 e março de 2024, evidenciam maior severidade clínica e impacto económico. Desta forma, reforçam a necessidade de uma resposta estruturada de saúde pública.


Enquadramento europeu e políticas de prevenção

O Safe Hearts Plan, plano europeu de saúde cardiovascular, identifica a vacinação contra doenças preveníveis como estratégia eficaz na redução de complicações cardiovasculares em grupos de risco.

No âmbito deste plano, a vacinação contra infeções respiratórias em pessoas com 65 ou mais anos, bem como em doentes cardiovasculares, é apontada como medida essencial para reduzir o risco de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e outros eventos agudos.

A Comissão Europeia anunciou a intenção de propor uma recomendação do Conselho para promover a imunização ao longo da vida. Além disso, prevê apoio aos Estados-membros na identificação de populações-alvo e no aumento da cobertura vacinal.


Lacuna entre evidência científica e prática

Em Portugal, a vacina contra o VSR encontra-se disponível. Contudo, a comparticipação está atualmente limitada à população pediátrica.

Esta realidade contrasta com a evidência científica, que identifica o VSR como causa relevante de pneumonia e insuficiência respiratória em adultos mais velhos. Além disso, pode agravar patologias crónicas como DPOC, asma, insuficiência cardíaca ou diabetes.

Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa concluiu que a vacinação de adultos com 60 ou mais anos poderia prevenir dezenas de milhares de infeções respiratórias, reduzir hospitalizações e diminuir custos para o sistema de saúde.

Assim, a evidência aponta para a vacinação como investimento estruturante na proteção dos mais vulneráveis. O desafio passa agora por alinhar políticas públicas com o conhecimento científico disponível.

José Albino é representante do Movimento de Doentes pela Vacinação – MOVA.

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