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Garland 250 anos é o balanço de uma das mais antigas empresas em actividade em Portugal. O livro “Garland 250 Years” foi apresentado na terça-feira, no Hotel Palácio Estoril. A obra reconstitui, assim, a história do grupo de transportes, navegação e logística, fundado em 1776.
A sessão foi aberta por Mark Dawson, presidente executivo da Garland, e encerrada por Peter Dawson, antigo presidente. Interveio também Bruce Dawson, antigo presidente e actual presidente da assembleia geral, que esteve na origem do projecto.
Uma tempestade, um navio de bacalhau e 1776
A origem da empresa está no comércio do bacalhau.
Thomas Garland, britânico, trabalhava no transporte de bacalhau da Terra Nova. Por volta de 1772, seguia num navio que uma tempestade levou a Lisboa. Vendeu então o carregamento e decidiu fixar-se em Portugal. Quatro anos depois, através do filho Joseph Garland, iniciou um negócio de transporte de bacalhau. É esse, portanto, o marco de 1776.
A empresa atravessou as invasões napoleónicas, a queda da monarquia, o Estado Novo e o 25 de Abril. Em 1848, por exemplo, chegou a ser autorizada a imprimir notas bancárias. Além disso, foi agente de navios a partir de 1855. Depois, apoiou em 1922 a primeira travessia aérea do Atlântico Sul. Entrou ainda na expedição marítima e ferroviária em 1939, na distribuição de pneus em 1963, no transporte rodoviário e na carga aérea em 1973 e, finalmente, na logística em 1994.
De rapaz dos recados a sócio
A segunda família, por sua vez, entrou pela porta de serviço.
Em 1866, Errington Dawson, bisavô de Bruce Dawson, fugiu da escola em Inglaterra aos 16 anos e chegou a Lisboa. Foi então trabalhar para a Garland como rapaz dos recados. Por volta de 1900 formou sociedade com Garland Jayne. Assim começou a primeira geração Dawson na empresa.
Em 250 anos, portanto, apenas estas duas famílias detiveram a propriedade e a gestão da companhia.
“Este livro foi escrito para guiar o leitor através destes períodos marcantes e para mostrar como duas famílias conduziram a empresa pelos inúmeros desafios que enfrentaram”, escreve Bruce Dawson no prefácio.
Garland 250 anos: três anos de memórias e seis meses de edição
O projecto nasceu quando a administração desafiou Bruce Dawson a registar as suas memórias. Esteve ligado à empresa durante 50 anos, 25 deles como presidente. Esse trabalho decorreu, entretanto, ao longo de mais de três anos.
A editora Have a Nice Day foi depois convidada a dar forma à obra. Nos últimos seis meses, desenvolveu a investigação complementar, a recolha documental, as entrevistas e a escrita. O livro é, por isso, da autoria da jornalista Teresa Ribeiro.
A equipa entrevistou 35 pessoas, num total aproximado de 35 horas de conversas. Entre elas estão antigos e actuais colaboradores, representantes de entidades empresariais e também académicos. As fontes principais foram os documentos “Dawson Story” e “Garland in Newfoundland”, de Bruce Dawson. Além disso, a investigação recorreu ao arquivo histórico da empresa e a arquivos municipais.
“Um dos maiores desafios foi seleccionar, entre 250 anos de acontecimentos, os episódios determinantes”, afirmou Teresa Ribeiro. A autora destacou, por exemplo, a decisão de investir em novas instalações na Maia durante a crise de 2008 a 2012.
A Garland hoje
O grupo facturou cerca de 120 milhões de euros em 2025 e emprega aproximadamente 450 pessoas. Além disso, gere mais de 154 mil metros quadrados de área logística e opera em Portugal, Espanha, França e Marrocos. Em 2023, por exemplo, o grupo Garland abriu um novo centro logístico em Gaia.
A actividade reparte-se por navegação, transportes e logística. Os transportes têm hoje o maior peso na facturação. Por outro lado, a logística é a área que mais cresceu. Mais informações no site da Garland.
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