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Três em cada quatro mulheres com osteoporose não são tratadas em Portugal

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Uma fractura depois de uma queda da própria altura raramente é azar. Pode ser o primeiro sinal de osteoporose, uma doença que afecta 681 mil portugueses e que continua a ser diagnosticada tarde e tratada pouco.

Portugal regista cerca de 70.700 fracturas de fragilidade por ano, quase 200 por dia. O número consta do relatório SCOPE 2021 da International Osteoporosis Foundation, com dados de 2019, e deverá subir para 91.200 até 2034, um aumento de 28,9%.

«Uma fractura de fragilidade não é necessariamente um episódio isolado do qual se recupera e volta à vida anterior. Pode significar dor persistente, perda de mobilidade, perda de autonomia, necessidade de ajuda de terceiros e, nas fracturas mais graves, aumento do risco de mortalidade», afirma o reumatologista Tiago Meirinhos.

O fosso entre quem precisa de tratamento e quem o recebe

O dado mais duro não é o número de fracturas. É o fosso terapêutico. Das 474 mil mulheres portuguesas elegíveis para tratamento em 2019, cerca de 356 mil não o recebiam. São 75%.

O valor piorou drasticamente. Em 2010 o fosso era de 37%. Em nove anos duplicou.

«Não só não estamos a diagnosticar a osteoporose, como estamos a tratar apenas uma ínfima parte dos doentes que dela padecem», afirma Filipe Cabral, médico de Medicina Geral e Familiar. «Em Portugal, já com diagnóstico e com indicações para receberem o tratamento, só uma em cada quatro mulheres o recebe de facto.»

Quem inicia tratamento também não o mantém. «O fármaco mais prescrito em Portugal tem uma adesão, ao final de dois anos, de essencialmente 5%. Ou seja, só uma em cada 20 pessoas ao final de dois anos está a aderir à terapêutica», acrescenta o mesmo clínico.

Porque é que os doentes abandonam o tratamento

Tiago Meirinhos aponta duas causas. «A osteoporose é normalmente assintomática entre fracturas, pelo que é difícil manter durante anos um medicamento para uma doença que a pessoa não sente. Algumas pessoas têm também receio dos efeitos adversos e, por vezes, esse receio é desproporcionado relativamente ao risco real de uma fractura.»

O reumatologista defende três pilares na relação com o doente: explicar, simplificar e acompanhar. «Quando o doente compreende que o objectivo não é apenas melhorar uma densitometria, mas evitar uma fractura que pode comprometer a sua independência, a percepção do valor do tratamento muda.»

Ambos os clínicos colocam o médico de família no centro da resposta. «É a porta de entrada de muitos doentes nos cuidados de saúde e é o profissional que acompanha a pessoa em todas as fases da vida», sustenta Filipe Cabral.

A primeira fractura é um sinal de alarme

Quem já teve uma fractura de fragilidade tem maior risco de voltar a fracturar, sobretudo nos primeiros anos. «Uma fractura não deve ser vista apenas como um problema que termina quando o osso consolida. Deve desencadear uma avaliação do risco de osteoporose e medidas para evitar a próxima fractura», sustenta Tiago Meirinhos.

A fractura da anca é a mais grave. A International Osteoporosis Foundation indica que até 20 a 24% dos doentes morrem no primeiro ano, e que o risco acrescido de morte se mantém pelo menos cinco anos. Entre os sobreviventes, cerca de 40% deixam de conseguir andar de forma independente e 60% precisam de assistência ao fim de um ano.

O que reduz o risco, e a calculadora que o mede

A idade, a menopausa e a genética não se alteram. O resto sim. «Actividade física regular, alimentação adequada, aporte alimentar de cálcio suficiente, vitamina D adequada, evitar tabaco e consumo excessivo de álcool e prevenir quedas», enumera Tiago Meirinhos.

O exercício tem um papel específico. «O osso responde à carga mecânica, por isso actividades com impacto adequado e treino de força são importantes. Em pessoas mais idosas, trabalhar o equilíbrio e força muscular é igualmente fundamental porque reduz o risco de quedas, e sem quedas muitas fracturas não aconteceriam.»

Existe uma ferramenta para medir o risco. O FRAX calcula a probabilidade de fractura osteoporótica a dez anos e está disponível em versão adaptada a Portugal. Filipe Cabral defende a sua utilização sistemática a partir dos 40 anos. Outros especialistas portugueses situam o limiar nos 50.

O texto resulta de uma campanha nacional lançada pela farmacêutica Tecnimede a propósito do Dia Mundial da Osteoporose, que se assinala a 20 de Outubro.

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