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Campanha de phishing com falsos voicemails e anexos SVG

Campanha de phishing com falsos voicemails atinge 7800 empresas

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

Uma campanha de phishing em larga escala está a falsificar notificações automáticas de transcrição de mensagens de voz. De facto, entre 17 e 31 de Agosto, a Check Point Research detectou mais de 58 mil mensagens dirigidas a mais de 7800 organizações.

Como funciona esta campanha de phishing

Os atacantes usaram mais de 38 400 endereços de remetente falsificados. Além disso, recorreram a mais de 9300 domínios utilizados de forma fraudulenta.

Cada mensagem falsifica o domínio da própria organização do destinatário no campo do remetente. Por isso, o email assume a aparência de um alerta interno antes sequer de o utilizador abrir o anexo.

Os assuntos seguem uma fórmula simples. Primeiro, começam por “Automated transcript”. Em seguida, incluem parte de um número de telefone ocultado e terminam com uma sequência aleatória. Assim, o resultado parece uma notificação discreta, gerada por uma ferramenta legítima.

Anexo SVG em vez de ficheiro executável

O conteúdo malicioso chega num ficheiro Scalable Vector Graphics, com extensão .svg. Ou seja, não se trata de um executável nem de um documento com macros.

O nome do anexo imita um ficheiro de gravação de chamada, com símbolos e a duração aparente da mensagem. Na realidade, contém código incorporado. Depois, quando o utilizador o abre, esse código activa um redireccionamento para uma página fraudulenta.

O endereço de email da vítima já segue codificado no URL. Portanto, o formulário de autenticação pode surgir preenchido, o que torna o roubo de credenciais mais credível.

Sinais que permitem identificar o ataque

De acordo com a Check Point Research, a campanha apresenta cinco características:

  • os atacantes falsificam o remetente para corresponder ao domínio da própria organização;
  • o assunto imita notificações de sistemas reais de voicemail;
  • o conteúdo malicioso chega num ficheiro SVG;
  • o redireccionamento ocorre no equipamento do utilizador, sem ligação visível que o utilizador consiga verificar antes;
  • a página fraudulenta apresenta o endereço de email da vítima já preenchido.

Técnica já tinha sido detectada no Verão

O método não é inteiramente novo. Aliás, em Agosto, a empresa de segurança INKY, do grupo Kaseya, já tinha reportado uma campanha de phishing semelhante, com anexos SVG que imitavam transcrições de voicemail.

Nesse caso, a empresa identificou 26 589 mensagens dirigidas a 5527 organizações, entre 1 de Junho e 4 de Agosto. Portanto, os números agora divulgados apontam para uma intensificação da técnica.

Risco acrescido com agentes automáticos

“Esta campanha é eficaz precisamente porque não parece extraordinária, parece uma tarefa banal”, afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software em Portugal.

O responsável acrescenta: “Um email que usa o domínio da própria organização e apresenta uma transcrição automática de voicemail como anexo beneficia de um contexto de confiança imediato. No entanto, um simples ficheiro SVG pode ser suficiente para conduzir a vítima a uma página de roubo de credenciais.”

Segundo a empresa, o risco aumenta quando estes conteúdos entram em fluxos automáticos. Igualmente, o perigo cresce quando agentes de inteligência artificial os processam. Na verdade, um processo autorizado a abrir anexos ou a seguir ligações pode tratar o ficheiro sem o discernimento de um utilizador com formação em segurança.

Como reduzir o risco

A Check Point recomenda tratar as notificações automáticas como um sinal que exige verificação. Sobretudo, isso aplica-se quando o remetente parece usar o domínio da própria organização. Além disso, aconselha a tratar anexos SVG como conteúdo activo e não apenas como imagens.

Antes de autorizar um agente de inteligência artificial a abrir anexos, convém definir os tipos de ficheiro e os domínios acessíveis sem confirmação humana. Depois, as equipas devem registar e rever as acções destes agentes como se tratasse de utilizadores privilegiados.

Por fim, a empresa recomenda que os colaboradores denunciem emails suspeitos com notificações automáticas. Dessa forma, as equipas de segurança identificam a infra-estrutura associada.

Outros alertas de fraude digital

Numa linha semelhante, a Check Point alertou para burlas digitais ligadas ao Mundial 2026. Além disso, os dados nacionais mostram que 1 em cada 4 portugueses já foi vítima de fraude digital.

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