Tempo de leitura estimado: 3 minutos
Um vinho do Dão acaba de entrar no restrito grupo dos 100 pontos. O crítico norte-americano James Suckling atribuiu a nota máxima ao “António Madeira Os Granitos 2023”. Trata-se, por isso, de um marco: é a primeira vez que um vinho português não fortificado alcança essa pontuação.
Primeiro vinho do Dão não fortificado com nota máxima
O vinho nasce na sub-região da Serra da Estrela, em Santa Marinha, no concelho de Seia. Custa 64 euros no preço de venda ao público recomendado. Além disso, a produção segue o modo biodinâmico.
Contudo, até agora apenas vinhos fortificados portugueses tinham obtido a classificação máxima deste crítico. Suckling é, no entanto, uma das vozes com maior influência no mercado internacional.
Vinhas velhas entre os 450 e os 600 metros
As vinhas usadas na produção têm entre 50 e 120 anos. Situam-se, sobretudo, a altitudes entre os 450 e os 600 metros, no sopé da Serra da Estrela.
O produtor explica que a altitude favorece maturações lentas e preserva a acidez natural das uvas. Assim, o vinho do Dão ganha frescura e forte expressão do lugar.
De Paris para o sopé da Serra da Estrela
Nascido em Paris, António Madeira encontrou na Serra da Estrela a matéria-prima para a sua leitura do Dão. Em seguida, recuperou vinhas velhas de altitude e apostou em vinhos de terroir e de mínima intervenção.
“É um enorme orgulho receber este reconhecimento, que resulta de muito empenho e trabalho”, afirma o produtor. E acrescenta: “Quando recebi a notícia dos 100 pontos estava precisamente a pôr no lagar a colheita de 2026 deste vinho. Nada acontece por acaso.”
CVR Dão fala em reconhecimento extraordinário
Para a Comissão Vitivinícola Regional do Dão, a distinção confirma, portanto, o trabalho de valorização da região.
“Distinções como esta elevam o Dão para o patamar de qualidade que pretendemos para a região e confirmam aquilo em que temos vindo a trabalhar: afirmar o Dão, os seus produtores e os seus vinhos entre os grandes nomes do vinho a nível internacional”, afirma Manuel Pinheiro, presidente da CVR Dão.
O responsável acrescenta: “É um reconhecimento extraordinário para o António Madeira, mas é também um motivo de orgulho para toda a região e para todos os que diariamente trabalham para valorizar o Dão.”
A região tem, por isso, reforçado a presença fora de portas. Em Paris, por exemplo, os vinhos do Dão reforçaram a visibilidade internacional.
Por outro lado, outras regiões procuram o mesmo reconhecimento. No Douro, por exemplo, o Antónia Adelaide Ferreira DOC Douro Tinto 2021 homenageia a mulher que mudou a região.






