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A empresa de cibersegurança Check Point Software Technologies alertou para um aumento significativo de esquemas fraudulentos e campanhas maliciosas associadas ao Campeonato do Mundo FIFA 2026. Em primeiro lugar, importa lembrar que o evento decorre nos Estados Unidos, Canadá e México. Por outro lado, nos últimos meses, as burlas digitais ligadas ao Mundial 2026 têm crescido de forma preocupante.
Segundo a investigação da Check Point Research, os cibercriminosos exploram o entusiasmo em torno do torneio para criar lojas falsas, plataformas fraudulentas de apostas, esquemas de recompensa e domínios de phishing. De facto, o objectivo passa pelo roubo de dinheiro, credenciais e dados pessoais. Aliás, este padrão repete-se em vários grandes eventos desportivos, conforme já noticiámos sobre a fraude digital em Portugal.
Além disso, a empresa refere que, entre Novembro de 2025 e Abril de 2026, houve um crescimento acelerado de domínios relacionados com os termos “FIFA” e “World Cup”. Por exemplo, só em Abril foram registados 9.741 novos domínios associados ao evento desportivo. Por outro lado, a investigação concluiu que um em cada 65 domínios criados em Abril já era suspeito ou malicioso. Entretanto, no início de Maio, esse rácio agravou-se para um em cada 41 domínios.
Lojas falsas, apostas fraudulentas e plataformas de “voto para ganhar”
De acordo com a Check Point Research, foram identificadas várias categorias de fraude digital. Em primeiro lugar, estas estão concebidas para explorar adeptos e consumidores antes do início do torneio.
Por exemplo, um dos casos analisados foi o domínio “fifaofficialstore[.]shop”, criado em Março de 2026. Em concreto, o site simulava uma loja oficial de merchandising da FIFA e promovia produtos relacionados com o Mundial, tais como camisolas, cachecóis e artigos promocionais.
Além disso, segundo a investigação, a página utilizava descontos agressivos até 80% e mensagens de urgência. Desta forma, conseguia convencer os utilizadores a introduzirem dados pessoais e bancários.
Por outro lado, os investigadores identificaram ainda o domínio “fifa2026guess[.]com”, apresentado como uma plataforma de “voto para ganhar”. Nesse caso, os utilizadores eram incentivados a depositar dinheiro em troca de alegados retornos diários.
Por fim, foram também detectadas plataformas fraudulentas de apostas desportivas ligadas ao Mundial 2026, sobretudo dirigidas ao mercado asiático.
Inteligência artificial acelera campanhas fraudulentas
De acordo com a Check Point Research, os atacantes recorrem à automação e à inteligência artificial para criar rapidamente páginas falsas. Assim, esta abordagem permite-lhes testar campanhas e adaptar os esquemas a diferentes países e idiomas. Em concreto, este cenário aproxima-se da projecção sobre a primeira vaga de ataques autónomos de IA no cibercrime em 2026.
Por sua vez, Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal, afirma que os grandes eventos internacionais se transformaram em catalisadores de cibercrime. De facto, segundo o responsável, é durante estes períodos que as burlas digitais ligadas ao Mundial 2026 mais se intensificam.
Além disso, o responsável acrescenta que os criminosos aproveitam o entusiasmo dos adeptos e a urgência das compras de última hora para induzir decisões precipitadas. Por isso, recomenda especial cautela com promoções demasiado atractivas e com pedidos de dados pessoais.
Sectores mais afectados registam aumento de ataques
Entretanto, a investigação concluiu que os sectores ligados ao turismo, hotelaria, transportes, media e entretenimento já estão sob pressão. Em concreto, esta situação resulta do aumento da actividade maliciosa relacionada com o Mundial.
Por exemplo, no México, as organizações destes sectores sofreram uma média semanal de 1.752 ciberataques em Abril de 2026, mais 23% face ao mês anterior. Por sua vez, nos Estados Unidos, a média semanal atingiu 1.462 ataques por organização. Já no Canadá, o crescimento anual chegou aos 48%.
Em suma, a empresa considera que o aumento do tráfego digital, reservas, pagamentos e campanhas promocionais cria condições ideais para campanhas fraudulentas e ataques dirigidos. Consequentemente, geram-se riscos acrescidos para todos os envolvidos.
Check Point deixa recomendações para adeptos e empresas
Em primeiro lugar, a Check Point recomenda que os utilizadores desconfiem de descontos excessivos em merchandising, promessas de ganhos garantidos, pedidos para descarregar aplicações desconhecidas e mensagens que pressionem decisões rápidas.
Além disso, a empresa aconselha os adeptos a verificarem sempre os domínios. Da mesma forma, recomenda que evitem introduzir dados bancários em páginas não verificadas.
Por outro lado, para as empresas, a recomendação passa por reforçar os sistemas de protecção contra phishing. Adicionalmente, é importante monitorizar domínios semelhantes às marcas oficiais, validar parceiros digitais e aplicar modelos de segurança em camadas. Para um enquadramento mais alargado, consulte ainda as tendências transformadoras da cibersegurança.
Em conclusão, a empresa sublinha que o momento para reforçar a monitorização e a prevenção é anterior ao início do torneio, quando a actividade criminosa começa a intensificar-se. Em suma, as burlas digitais ligadas ao Mundial 2026 tendem a multiplicar-se à medida que se aproxima o FIFA World Cup 2026.






