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A vaga de calor em Portugal está a aumentar o risco de deterioração de alimentos frescos e a pressionar famílias, supermercados, restaurantes e pequenos retalhistas.
Com temperaturas extremas, produtos como fruta, legumes, lacticínios, sumos e refeições preparadas perdem qualidade mais depressa. Assim, o desperdício alimentar em Portugal pode agravar-se durante o Verão.
Segundo o princípio científico Q10, um aumento de 10 graus Celsius pode duplicar ou triplicar a velocidade das reacções químicas e biológicas que degradam os alimentos.
O alerta surge num contexto em que cada português desperdiça, em média, 184 quilos de comida por ano, segundo dados que a Too Good To Go apresenta.
A empresa refere ainda que 28% dos consumidores portugueses admitem desperdiçar mais alimentos durante os meses de Verão. A fruta é a categoria mais referida, apontada por 48% dos inquiridos.
Desperdício alimentar em Portugal aumenta com o calor
O desperdício alimentar em Portugal é um problema ambiental, económico e social. No entanto, as temperaturas elevadas tornam a questão mais crítica.
O calor reduz o tempo útil de conservação dos produtos frescos. Além disso, obriga os equipamentos de refrigeração a trabalhar em maior esforço, aumentando o consumo de energia.
De acordo com a Too Good To Go, Portugal desperdiça cerca de 1,9 milhões de toneladas de comida por ano. Estes números colocam o país entre os Estados-membros da União Europeia com maior quebra alimentar por habitante.
Por outro lado, o Verão agrava comportamentos de risco na conservação doméstica. Compras em excesso, transporte inadequado e frigoríficos sobrecarregados aceleram a deterioração dos alimentos.
Fruta, legumes e lacticínios entre os produtos mais vulneráveis
A fruta é a categoria mais afectada pelo calor, segundo os dados que a Too Good To Go divulga. Legumes e produtos lácteos seguem-se entre os alimentos com maior risco de desperdício.
Bananas, maçãs e tomates libertam gás etileno, que acelera a maturação de outros produtos. Por isso, convém separá-los dos restantes alimentos durante períodos de temperaturas elevadas.
A empresa recomenda ainda guardar as frutas de Verão na gaveta inferior do frigorífico. Esta prática ajuda a atrasar a desidratação e o amadurecimento acelerado.
No caso de lacticínios e sumos, pequenas alterações físicas podem surgir perto do fim do prazo indicado. Contudo, quando a embalagem refere “consumir de preferência antes de”, a avaliação sensorial pode evitar desperdício desnecessário.
A recomendação passa por observar, cheirar e provar antes de deitar fora, desde que não existam sinais evidentes de risco.
Conservação correcta pode reduzir perdas em casa
A Too Good To Go defende a adopção de medidas simples para reduzir o desperdício alimentar em Portugal durante a vaga de calor.
O frigorífico deve manter-se entre os zero e os quatro graus Celsius na zona mais fria. Além disso, não deve estar sobrecarregado, porque o ar frio precisa de circular livremente.
A limpeza das bobinas traseiras também melhora a eficiência do equipamento. Por sua vez, recipientes ventilados ajudam a evitar bolsas de calor e humidade entre os alimentos frescos.
A empresa sugere ainda o uso de rolhas de cortiça cortadas longitudinalmente na fruteira. Esta solução ajuda a absorver o excesso de humidade e pode reduzir a formação de bolor.
Os consumidores podem aproveitar produtos já maduros em receitas frias. Tomates e pimentos amolecidos rendem um bom gaspacho, e bananas demasiado maduras podem virar gelado natural depois de congeladas.
Morangos ou pepino com sinais de desidratação também servem para águas aromatizadas, com gelo e fruta excedente.
Tecnologia ajuda comércio a salvar alimentos
As temperaturas elevadas não afectam apenas as cozinhas domésticas. Supermercados, padarias, restaurantes e mercearias enfrentam também maior risco de quebra de produtos frescos.
A Too Good To Go posiciona a sua aplicação como ferramenta de resposta rápida para o retalho. A plataforma permite vender excedentes alimentares antes de o desperdício acontecer.
Em Portugal, a comunidade da aplicação conta com mais de 2,7 milhões de utilizadores e uma rede de mais de 5.500 parceiros, segundo dados que a empresa divulga.
A Too Good To Go afirma que a sua comunidade já salvou mais de 7,7 milhões de refeições no país. Este volume corresponde a mais de 7.700 toneladas de comida em condições de consumo.
A nível internacional, a empresa refere mais de 130 milhões de utilizadores registados e 200.000 parceiros activos em 21 países.
Mais informação pode ser consultada no site oficial da Too Good To Go: https://www.toogoodtogo.com
Pressão económica reforça importância da prevenção
“As temperaturas extremas exigem uma adaptação rigorosa nos nossos hábitos de conservação”, afirma Maria Tolentino, Country Manager da Too Good To Go em Portugal.
Segundo a responsável, o desperdício provocado pelo calor representa um prejuízo duplo para as famílias. Existe a perda financeira do alimento que se estraga e o custo da energia usada na refrigeração.
Por fim, a empresa defende uma resposta combinada entre pequenos gestos domésticos e soluções tecnológicas. O objectivo é actuar antes de o desperdício acontecer.
A vaga de calor reforça, assim, a necessidade de planear compras, conservar correctamente os alimentos e valorizar excedentes ainda próprios para consumo.
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