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A redução do desperdício alimentar em Portugal e na Europa continua a ser um desafio urgente. Portugal mantém valores acima da média da União Europeia, conforme confirmado na 2.ª Conferência Internacional de Sustentabilidade da GS1 Portugal.
A conferência reuniu especialistas, entidades públicas e empresas. Juntos, debateram estratégias para transformar desperdício em valor e promover um sistema alimentar mais sustentável.
A GS1 Portugal organizou a iniciativa em colaboração com o Ministério da Agricultura e Mar. O evento decorreu no Centro Cultural de Belém e focou-se na necessidade de reforçar a colaboração e a inovação tecnológica.
Combate ao desperdício alimentar exige mudança de paradigma
Na sessão de abertura, Paulo Gomes defendeu que os excedentes alimentares representam oportunidades de criação de valor. Consequentemente, não devem ser vistos apenas como resíduos.
Além disso, Paulo Gomes sublinhou que todos temos responsabilidade para com as gerações futuras. Por isso, é necessário que todos os intervenientes da cadeia de abastecimento cooperem mais.
Por sua vez, José Manuel Fernandes destacou que o desperdício alimentar representa uma oportunidade económica e social. Em concreto, a nova Estratégia Nacional de redução do desperdício alimentar em Portugal e na Europa pode estimular novos modelos de negócio.
União Europeia quer reduzir desperdício até 2030
Klaus Berend apresentou a dimensão europeia do problema. Segundo o especialista, a UE desperdiça cerca de 58 milhões de toneladas de alimentos por ano, de acordo com a Comissão Europeia.
Este volume corresponde a aproximadamente 129 quilogramas por cidadão. Além disso, representa um custo estimado de 132 mil milhões de euros anuais.
As metas europeias para 2030 são ambiciosas. Em concreto, preveem uma redução de 10% do desperdício na indústria e de 30% per capita no retalho, restauração e consumo doméstico.
Nova estratégia nacional de redução do desperdício alimentar
No plano nacional, Susana Gaspar apresentou a proposta da Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar 2025+. Esta estratégia assenta em três princípios: prevenir, reduzir e monitorizar.
Entre as medidas previstas destacam-se a sensibilização dos consumidores e o reforço da educação alimentar nas escolas. Adicionalmente, a estratégia incentiva a doação de alimentos e melhora a articulação entre os intervenientes da cadeia de valor.
Segundo Susana Gaspar, os consumidores mais jovens desempenham um papel decisivo. Em suma, são eles que vão garantir resultados sustentáveis a longo prazo.
Famílias concentram a maioria do desperdício alimentar em Portugal
Carlos Carvalho destacou a importância da medição rigorosa. Por isso, alertou para o risco da invisibilidade estatística.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, as famílias portuguesas são responsáveis por cerca de 67% do desperdício alimentar em Portugal. Portanto, sem informação fiável, avaliamos mal o progresso das medidas implementadas.
Por fim, Cristiana da Silva Gomes salientou que a redução do desperdício alimentar em Portugal e na Europa exige uma abordagem integrada. A responsável da Agência Portuguesa do Ambiente destacou o papel dos municípios junto das famílias e do canal HORECA, que representam quase 80% do desperdício alimentar registado.
Veja também: Desperdício alimentar continua acima da média europeia em Portugal, com dados recentes do INE e da GS1 Portugal sobre o impacto ambiental e económico deste problema.





