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Férias seguras começam com cuidados antes da partida

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

Há quem planeie as férias ao detalhe, do hotel aos restaurantes, passando pela mala e pelos locais para fotografar.

No entanto, poucos viajantes param para confirmar se a sua saúde também está pronta para a partida.

Tal como quem viaja confirma o passaporte, as reservas e o itinerário, também faz sentido reservar alguns minutos para avaliar o estado de saúde antes de viajar.

Um check-up simples pode ajudar a rever a medicação habitual, esclarecer dúvidas, avaliar sintomas recentes e identificar cuidados específicos relacionados com o destino.

Na maioria dos casos, trata-se de uma consulta prática. Ainda assim, pode ser suficiente para permitir férias seguras e com mais tranquilidade.

Férias seguras exigem preparação médica

A preparação antes da viagem é particularmente importante para pessoas com doenças crónicas.

É o caso de quem vive com diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias ou doenças oncológicas.

Antes de viajar, é aconselhável confirmar que a doença está controlada. Além disso, o viajante deve garantir medicação suficiente para toda a estada.

Quando a viagem é para o estrangeiro, pode ser útil levar informação clínica essencial.

Este cuidado facilita a actuação médica em caso de necessidade. Por outro lado, reduz o risco de falhas na continuidade do tratamento.

Preste atenção a sintomas recentes

Também não é aconselhável ignorar sinais recentes antes da partida.

Convém avaliar cansaço fora do habitual, falta de ar, febre, tonturas, dor no peito ou agravamento de uma doença conhecida.

Mesmo situações aparentemente simples merecem atenção.

Uma dor de ouvidos nos dias anteriores a uma viagem de avião, por exemplo, pode agravar-se durante o voo.

As alterações de pressão podem causar desconforto intenso. Em alguns casos, podem mesmo provocar complicações evitáveis.

Assim, a avaliação prévia permite reduzir riscos e evitar problemas durante a viagem.

Planeie a consulta do viajante com antecedência

Para determinados destinos, a preparação deve ir além do protector solar e do repelente de insectos.

Dependendo do país ou da região visitada, o viajante pode precisar de cuidados adicionais com a água e os alimentos.

Além disso, convém adoptar medidas de protecção contra mosquitos e avaliar a necessidade de vacinas ou medicação preventiva.

Por esse motivo, os especialistas recomendam realizar a consulta de saúde do viajante, idealmente, pelo menos um mês antes da partida.

Este prazo permite assegurar tempo suficiente para vacinação e para outras medidas preventivas.

A preparação atempada é uma das formas mais simples de garantir férias seguras.

Viagens longas aumentam riscos para o organismo

Muitas pessoas subestimam o impacto das viagens longas no organismo.

Quando o tema são os riscos associados às deslocações, muitas pessoas pensam apenas nos voos de longo curso.

No entanto, o corpo não distingue se a pessoa está sentada num avião, num carro, num autocarro ou num comboio.

O factor relevante é o tempo passado praticamente imóvel.

Segundo os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças, qualquer viagem superior a quatro horas pode aumentar o risco de formação de coágulos sanguíneos.

Por isso, durante percursos prolongados, é aconselhável levantar-se regularmente, caminhar alguns minutos sempre que possível e movimentar as pernas.

Além disso, o viajante deve manter uma boa hidratação ao longo da viagem.

Prevenir problemas permite viajar com tranquilidade

Medidas simples permitem antecipar e prevenir a maioria dos problemas associados às viagens.

O objectivo não é criar preocupação nem acrescentar mais uma tarefa à lista de preparativos.

Pelo contrário, trata-se de reduzir imprevistos, evitar preocupações desnecessárias e manter o foco das férias no descanso.

As melhores recordações de uma viagem devem incluir paisagens, experiências e momentos felizes.

A procura urgente de uma farmácia ou de um serviço de urgência a milhares de quilómetros de casa não deve marcar essas recordações.

Texto de Joana Fernandes, médica com especialidade em Consulta do Viajante, Infecciologia e Medicina Tropical da Affidea Setúbal.

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