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Vacinação de adultos: a próxima prioridade em saúde pública

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Quando falamos de vacinação de adultos, abordamos um tema ainda fragmentado, sem o enquadramento universal existente nos programas pediátricos. Sessenta anos após a criação do Plano Nacional de Vacinação (PNV), talvez seja o momento de acompanhar a evolução da ciência e da medicina e criar um Programa Nacional de Vacinação para Adultos.

A Agenda Europeia de Imunização 2030 define como prioridade a integração das vacinas ao longo do curso de vida — uma abordagem que visa reforçar políticas de imunização que ultrapassem os primeiros anos de idade e garantam proteção em todas as etapas.

Não se trata apenas de vacinar os mais vulneráveis, como idosos ou doentes crónicos, mas de criar um calendário de vacinação ao longo da vida, alinhado com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera a imunização “um direito humano indiscutível e um dos melhores investimentos em saúde pública”.

Os benefícios são evidentes: a maioria das doenças preveníveis por vacinas, das hospitalizações e das mortes evitáveis ocorre na população adulta. A vacinação protege a saúde individual e coletiva, previne complicações graves e reduz os custos associados a internamentos e tratamentos.

Com adultos saudáveis, ganha-se em produtividade, estabilidade e sustentabilidade do sistema de saúde. A prevenção é hoje o modelo mais defendido, especialmente num contexto de sistemas de saúde sobrecarregados e de recursos limitados. Prevenir uma doença através de uma vacina é, acima de tudo, evitar despesa desnecessária e sofrimento evitável.

De acordo com o Adult Immunization Board, existiam, em abril de 2025, 87 vacinas autorizadas na União Europeia contra 30 doenças infecciosas em adultos. Estas podem ser integradas em programas de rotina, usadas para compensar vacinações em falta, proteger grupos de risco ou prevenir doenças associadas a estilos de vida e condições específicas.

Num país como Portugal, com uma das populações mais envelhecidas da Europa, ignorar a vacinação ao longo da vida é desperdiçar uma oportunidade de saúde pública. Sessenta anos depois do sucesso do PNV, é tempo de completar o ciclo: garantir que a proteção conferida pelas vacinas acompanha os portugueses em todas as fases da vida.


Por José Albino, Presidente da RESPIRA e do Movimento Doentes pela Vacinação (MOVA)

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