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Mais de 600 mil portugueses vivem com osteoporose, uma doença silenciosa, subdiagnosticada e frequentemente desvalorizada.
A osteoporose é uma doença crónica e silenciosa que fragiliza os ossos, tornando-os mais suscetíveis a fraturas. Em Portugal, estima-se que mais de 600 mil pessoas sofram desta patologia — muitas delas sem diagnóstico e sem tratamento. A ausência de sintomas visíveis e a perceção errada de que se trata de uma consequência “natural” do envelhecimento continuam a ser barreiras críticas ao diagnóstico e à prevenção.
Subdiagnóstico e falta de tratamento
O primeiro grande desafio é o subdiagnóstico. Muitas pessoas com osteoporose não sabem que têm a doença, frequentemente porque os médicos não consideram essa hipótese durante a consulta.
Mesmo entre os que são diagnosticados e realizam densitometria óssea, há um número significativo que não inicia tratamento, muitas vezes por hesitações injustificadas.
Existe ainda um terceiro grupo: doentes diagnosticados que não cumprem a terapêutica. A adesão é baixa porque a doença não provoca sintomas imediatos, e os pacientes não sentem os benefícios do tratamento no curto prazo, perdendo motivação para o continuar.
Literacia e perceções erradas
Um dos problemas centrais é a baixa literacia sobre a osteoporose.
Persiste a ideia de que a doença se manifesta com dor — quando, na verdade, só provoca dor após a fratura.
Esta perceção errada leva muitos a desvalorizar a gravidade da patologia, considerando normal “ter ossos frágeis” com a idade. Mas não é normal uma mulher de 65 anos sofrer uma fratura vertebral, nem é normal uma idosa de 75 anos fraturar a anca e ficar dependente de uma cadeira de rodas.
O papel dos médicos de família
Os médicos de medicina geral e familiar desempenham um papel fundamental, mas a osteoporose continua muitas vezes no fim da lista de prioridades das consultas.
O Dr. Tiago Meirinhos, reumatologista, sublinha que a abordagem é simples e eficaz e que deveria merecer maior atenção.
“Há ferramentas clínicas, como o FRAX, que permitem avaliar em menos de um minuto o risco real de fratura. A sua utilização sistemática poderia prevenir milhares de casos todos os anos.”
Embora a doença pertença ao âmbito da reumatologia, não é possível que os reumatologistas acompanhem todos os casos. O seu papel deve ser o de apoio técnico e orientação aos médicos de família, sobretudo nos casos graves ou de risco muito elevado de fratura.
Prevenção e tratamento: investir compensa
Existem várias opções terapêuticas eficazes na prevenção de fraturas — o grande objetivo do tratamento.
Vale a pena tratar, vale a pena investir e explicar aos doentes o benefício real da terapêutica.
Mas a prevenção começa muito antes do diagnóstico.
Medidas simples e acessíveis podem fazer a diferença:
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Ingestão adequada de cálcio (1000 a 1200 mg/dia), preferencialmente através de leite e derivados;
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Suplementação de vitamina D ou exposição solar regular;
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Prevenção de quedas em casa;
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Prática de exercício físico em carga, como caminhadas de 40 minutos diários após os 60 anos.
Um problema de saúde pública silencioso
A osteoporose não é inevitável e não é exclusiva dos idosos. É uma doença grave, com impacto real na autonomia e na qualidade de vida, e cuja prevenção e tratamento devem ser prioridades de saúde pública.
“Temos meios para prevenir e tratar a osteoporose. O que falta é reconhecer a sua importância e agir antes da fratura”, conclui o Dr. Tiago Meirinhos.
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