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Mudanças no estilo de vida podem melhorar a qualidade do esperma. É essa a tese de Mariana Belchior, embriologista júnior na Ferticentro e doutoranda nas Universidades do Porto e de Aveiro. Bruno Barauna, embriologista e responsável pela qualidade no laboratório da mesma clínica, assina também o texto. Num artigo assinado, os dois especialistas sistematizam dez recomendações com base em literatura científica recente.
Segundo os autores, a infertilidade masculina é cada vez mais frequente. Em cerca de 44% dos casos, os exames não encontram uma causa específica — a chamada infertilidade idiopática. O seu desenvolvimento resulta da combinação de vários factores, incluindo estilo de vida, obesidade, alimentação, genética e exposição ambiental. Nem todos são modificáveis. Contudo, a evidência disponível indica que hábitos saudáveis podem melhorar os parâmetros seminais.
Tabaco, peso e alimentação influenciam a qualidade do esperma
Deixar de fumar, incluindo cigarros electrónicos, surge como uma das medidas mais eficazes, com benefícios visíveis ao fim de três a seis meses. Manter um peso saudável é igualmente relevante. O excesso de peso prejudica a produção e a qualidade dos espermatozóides. Além disso, mesmo uma perda moderada pode melhorar vários parâmetros.
No plano alimentar, os autores recomendam a dieta mediterrânica, rica em fruta, vegetais, leguminosas, cereais integrais, azeite e peixe. Por outro lado, aconselham a evitar alimentos ultraprocessados e suplementos sem aconselhamento médico. Os benefícios verificam-se independentemente da idade ou do índice de massa corporal. Além disso, o exercício físico regular ajuda a controlar o peso, a equilibrar as hormonas e a reduzir o stress. Em contrapartida, o exercício excessivo ou muito prolongado pode ter o efeito oposto.
Álcool, drogas e saúde mental
O consumo excessivo e prolongado de álcool pode provocar alterações hormonais, diminuir a produção de testosterona e aumentar os danos no ADN dos espermatozóides. Já o consumo ocasional não demonstrou impacto significativo na fertilidade, referem os especialistas.
Quanto às drogas recreativas, a cannabis, os opióides e os esteróides anabolizantes podem interromper a produção de espermatozóides, com recuperação frequentemente lenta e incompleta. Os autores sublinham que o doente deve discutir qualquer alteração de medicação com o médico, sobretudo quando existe planeamento de gravidez. A saúde mental também conta: o stress, a ansiedade e a depressão podem alterar a produção hormonal e comprometer a qualidade do sémen.
Calor: temperatura dos testículos e roupa apertada
Os testículos funcionam naturalmente a cerca de 1 a 2 °C abaixo da temperatura corporal. Por isso, os embriologistas aconselham evitar banhos muito quentes, saunas, jacuzzis, o computador portátil ao colo durante longos períodos e roupa interior demasiado apertada.
Toxinas ambientais e horas de sono
Recomendam ainda reduzir a exposição a toxinas ambientais, como pesticidas, metais pesados e alguns produtos químicos. Para isso, sugerem usar equipamento de protecção e preferir recipientes de vidro ou cerâmica para aquecer alimentos. Por fim, dormir sete a nove horas por noite, com horários regulares, beneficia a saúde reprodutiva. Estudos associam a falta crónica de sono a alterações da qualidade do esperma, sobretudo em trabalhadores por turnos. O mesmo acontece em homens com perturbações como a apneia do sono, conclui um estudo publicado em 2026 na revista Human Reproduction.
Os autores terminam com uma recomendação prática. Quem tenta engravidar há mais de um ano deve procurar avaliação médica. O prazo desce para seis meses se a parceira tiver 35 anos ou mais.






