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As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo e em Portugal. Todos os anos, mais de 20 milhões de pessoas perdem a vida devido a problemas no coração e na circulação. No entanto, a medicina reforça com urgência um dado: cerca de 80 por cento destas mortes precoces poderiam ser evitadas. O Dia Mundial do Coração é, por isso, a ocasião certa para o lembrar.
Dia Mundial do Coração assinala-se a 29 de Setembro
A efeméride é uma iniciativa da World Heart Federation e tem este ano como mote global “Don’t Miss a Beat”. Contudo, a mensagem para a população não é de alarmismo, mas de atenção e acção.
Trata-se, assim, de uma oportunidade para recordar que a saúde cardiovascular não depende apenas do que fazemos quando surge um problema. Depende, sobretudo, das escolhas e dos cuidados que mantemos ao longo dos anos.
Factores de risco que não doem
Em muitos casos, é possível prevenir, identificar e tratar os factores que afectam o coração e os vasos sanguíneos. Entre os principais estão a hipertensão arterial, o colesterol elevado, a diabetes e o tabagismo. Além disso, pesam o excesso de peso, o sedentarismo e a alimentação desequilibrada.
Um dos desafios é que vários destes factores podem não provocar sintomas durante muito tempo. Por exemplo, é possível ter a tensão arterial ou o colesterol elevados e sentir-se perfeitamente bem. Por isso, não devemos esperar por sinais de alerta para começar a cuidar do coração.
Medir regularmente a pressão arterial e conhecer os valores de colesterol e de glicemia são medidas simples, mas importantes. Além disso, convém fazer uma avaliação médica adequada à idade e aos factores de risco.
Mexer-se mais e comer melhor
Também a actividade física tem um papel fundamental. Aliás, não é necessário ser atleta para proteger o coração. Caminhar, andar de bicicleta, nadar, dançar ou simplesmente reduzir o tempo sentado ajudam a aumentar a actividade física. Para quem é sedentário, começar gradualmente já representa um passo significativo.
A alimentação é outro dos pilares da prevenção. Assim, uma dieta com menos sal, ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas contribui para um melhor perfil cardiovascular. Mais do que seguir dietas da moda, importa construir hábitos alimentares sustentáveis e compatíveis com a nossa cultura.
Não podemos esquecer o tabaco. Fumar aumenta de forma significativa o risco de enfarte do miocárdio, de acidente vascular cerebral e de outras doenças. Contudo, deixar de fumar traz benefícios em qualquer idade. Além disso, pedir ajuda profissional pode aumentar as probabilidades de o conseguir.
Prevenir não significa viver com medo da doença. Pelo contrário, significa conhecer os nossos factores de risco e agir sobre aqueles que podemos modificar. Para algumas pessoas, mudanças no estilo de vida serão suficientes. Para outras, porém, será necessário tomar medicamentos de forma regular e com acompanhamento médico.
Sinais de alarme que exigem ajuda urgente
É igualmente importante reconhecer os sinais que podem indicar uma situação cardiovascular aguda. Dor ou pressão no peito com falta de ar súbita, suor frio, náuseas ou dor que se estende para o braço, costas, pescoço ou mandíbula podem ser sinais de enfarte.
Por sua vez, uma alteração súbita da fala, da força ou da sensibilidade de um lado do corpo pode indicar um acidente vascular cerebral. O mesmo acontece com uma assimetria da face. Nestas situações, portanto, não se deve esperar que os sintomas desapareçam: é fundamental procurar ajuda médica urgente.
Por isso, o Dia Mundial do Coração não deve ser apenas uma data no calendário. Deve servir como lembrete de que cuidar do coração é um compromisso diário. De facto, pequenas decisões repetidas ao longo do tempo podem fazer uma diferença importante.
O coração trabalha continuamente durante toda a nossa vida. Cuidarmos dele é, afinal, uma das formas mais concretas de cuidarmos da nossa própria vida e da vida daqueles que nos rodeiam.
César Lourenço, Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
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