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A 12.ª edição do programa terminou esta sexta-feira no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com a entrega de prémios aos vencedores do Apps for Good. Além disso, pela primeira vez, a final juntou trabalhos do ensino básico, do secundário e do ensino superior.
O CDI Portugal promove o programa educativo tecnológico no país. Assim, os projectos distinguidos responderam a desafios concretos na educação, na saúde, na igualdade de género, na indústria e na inovação. Também abordaram a sustentabilidade, a acção climática, as cidades sustentáveis, a erradicação da pobreza e a justiça.
Por fim, Alexandre Homem Cristo, secretário de Estado Adjunto e da Educação, encerrou a sessão institucional. O governante participou igualmente na entrega dos prémios.
Ensino superior entra no Apps for Good pela primeira vez
A vertente universitária constituiu a principal novidade desta edição. Aliás, trata-se de uma iniciativa pioneira na rede internacional do programa. Participaram nove instituições de ensino superior, 500 alunos e 20 professores.
Segundo o CDI Portugal, 93 por cento dos projectos desta vertente incidiram sobre a área da educação. O primeiro vencedor do ensino superior foi o GrowRight, da Egas Moniz School of Health and Science.
O projecto pretende ajudar os pais a identificar cedo sinais de alerta no desenvolvimento orofacial dos filhos. Além disso, propõe exercícios simples para promover melhor equilíbrio muscular.
Vencedores do Apps for Good: livros, pesca e uma luva inteligente
No ensino básico, o primeiro prémio foi para o BOOKS4ALL, da Escola Portuguesa de Cabo Verde. A solução, sem fins lucrativos, permite a troca de manuais escolares entre escolas de diferentes ilhas. Desta forma, combate a escassez de livros no arquipélago.
Seguiu-se o TravelBuddy, da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade, nos Açores, um guia turístico com realidade aumentada. Depois, surge o PeTech, da Escola Básica de São Lourenço, em Ermesinde, que acompanha tutores e animais em todas as fases da adopção.
No ensino secundário, o primeiro lugar coube ao Elite Fishing, da EB1,2,3/S/JI de São Roque do Pico. A aplicação liga turistas e famílias a experiências de pesca e prevê ainda a doação de peixe.
Em segundo ficou o Pequenos Heróis, da Escola Secundária Fernando Namora, na Amadora, um jogo que ensina crianças a reagir em emergências de saúde. Por último, o terceiro prémio foi para o Black Glove, da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, em Ílhavo.
Trata-se de uma luva inteligente que traduz linguagem gestual e Braille em tempo real. Ou seja, dirige-se a pessoas surdas, cegas e surdocegas.
Distinções especiais premeiam escola do Porto e aluna da Amadora
Entre os vencedores do Apps for Good, o Prémio Electronics for All distinguiu o EcoRain, da Escola Secundária de Tondela, no básico. No secundário, venceu o ARMIAC, da Escola Secundária de Sacavém, em Loures. O primeiro faz a gestão remota da recolha de água pluvial. Por sua vez, o segundo é um braço robótico controlado por voz ou texto.
Além disso, o Centro Educativo Padre António de Oliveira recebeu o Prémio Melhor App em Centros Educativos. O projecto Podes ser o que tu quiseres apoia jovens a partir dos 16 anos na saída dos centros educativos. Já o Prémio Escola coube à Escola Básica e Secundária do Cerco, no Porto, pela implementação do programa.
O Prémio Jovem Aluna distinguiu Maria Afonso, do projecto EcoLens, da Escola Secundária Fernando Namora. A aplicação analisa rótulos com termos como eco ou bio para combater o greenwashing. Por fim, entre os vencedores do Apps for Good, o Prémio do Público foi para o Easy Cook, da Escola Secundária de Castro Verde, que sugere receitas com os ingredientes disponíveis em casa.
Apps for Good soma 35 mil alunos e 800 escolas
A 12.ª edição contou com 188 escolas e 396 professores, dos quais 60 por cento já tinham participado antes. Além disso, ao longo do ano lectivo, o programa envolveu 3.816 alunos, 46 por cento dos quais raparigas.
O CDI Portugal assinala, por isso, crescimento em todos os indicadores face à 11.ª edição. Em 12 anos de existência, o Apps for Good envolveu mais de 35 mil alunos, 1.800 professores e 800 escolas.
Entre os convidados esteve James Garnett, presidente do Conselho de Administração do Apps for Good no Reino Unido. “É por isso que programas como o Apps for Good são importantes. Porque a coisa mais valiosa que criam não é uma aplicação. Não é um protótipo. É confiança. É a convicção de que a vossa voz importa e de que podem fazer a diferença”, afirmou.
Erin Chemery, senior project officer da UNESCO e membro da Teacher Task Force, destacou o modelo pedagógico. “O Apps for Good mostra o que acontece quando damos aos jovens espaço para identificar os problemas que os rodeiam, experimentar soluções e aprender com esse processo. Não se trata apenas de tecnologia: trata-se de desenvolver confiança, pensamento crítico e a capacidade de participar activamente na construção das comunidades e do futuro que querem”, declarou.
Para João Baracho, director-executivo do CDI Portugal, a final revelou “uma geração pronta para olhar para os desafios das suas comunidades não como problemas sem solução, mas como oportunidades para criar e agir”. O responsável acrescentou que os alunos “desenvolveram aplicações, mas desenvolveram sobretudo confiança, pensamento crítico, capacidade de colaboração e a consciência de que a tecnologia só cumpre verdadeiramente o seu propósito quando está ao serviço das pessoas”.
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