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Há modas alimentares que surgem como fogo-de-artifício. São vistosas, barulhentas e rapidamente desaparecem. No entanto, existem tendências que se instalam de forma discreta e permanecem porque respondem a necessidades reais. Em 2026, a alimentação caminha nesse sentido, com mais cor no prato e mais cuidado com a saúde.
A forma como falamos de comida está a mudar. Nota-se um regresso ao bom senso, com menos promessas milagrosas e menos discursos extremos. Cada vez mais surgem perguntas simples e objetivas, como “isto faz-me bem?” ou “é sustentável para o meu dia a dia, para o planeta e para a minha carteira?”. Existe um cansaço generalizado em relação aos alimentos ultraprocessados, aos rótulos intermináveis e aos ingredientes difíceis de identificar.
Ao mesmo tempo, a saúde digestiva ganhou protagonismo. As pessoas procuram sentir-se mais leves, ter mais energia, dormir melhor e evitar oscilações constantes de fome e desejos. O objetivo deixou de ser apenas “comer certo” e passou a ser “sentir que o corpo funciona melhor”.
Praticidade com qualidade será a chave
A realidade do dia a dia também pesa. Comer bem não pode ser um luxo nem um projeto dispendioso. Uma das grandes tendências alimentares para 2026 será a combinação entre praticidade e qualidade. Menos obsessão pela perfeição estética das redes sociais e mais foco em escolhas possíveis, realistas e sustentáveis na rotina diária.
É neste contexto que surge o conceito Eat the Rainbow. A ideia é simples e eficaz: quanto mais cores houver no prato, maior a probabilidade de existir variedade nutricional. Essa diversidade traduz-se num maior consumo de fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, sem necessidade de contar calorias, pesar alimentos ou seguir dietas restritivas.
Comer com mais cor, sem radicalismos
Um prato com espinafres, cenoura, tomate, pimento, feijão e ovo, seguido de uma peça de fruta, não é exótico nem complicado. No entanto, apresenta uma densidade nutricional muito superior ao clássico arroz com frango grelhado. O mais importante é que esta abordagem não exige radicalismos.
Não é necessário aderir a jejuns prolongados nem viver à base de batidos. Trata-se apenas de mudar a perspetiva. Em vez do acompanhamento habitual, optar por uma salada com várias cores, como roxo da couve-roxa, laranja da abóbora, verde da rúcula, vermelho do tomate e amarelo do pimento.
Mesmo nos dias mais cansativos, quando a paciência é pouca, o “arco-íris” pode ser simples. Uma sopa de legumes, uma omelete com espinafres e uma fruta são suficientes. Não é uma refeição épica, mas é consistente. E é precisamente a consistência que gera resultados duradouros.
Uma tendência que devolve prazer à comida
O movimento Eat the Rainbow tem outra vantagem fundamental. Não transforma a alimentação numa batalha moral entre o que é permitido ou proibido. A lógica é simples: tornar a alimentação um pouco melhor, sem complicar.
Além disso, devolve o prazer de comer. Pratos coloridos são mais apelativos e transmitem a sensação de comida “a sério”. Quando algo é agradável, torna-se repetível. E é a repetição, e não a perfeição, que cria mudanças reais no longo prazo.
No final, a melhor tendência alimentar não é a mais sofisticada. É aquela que funciona numa segunda-feira à noite, com o frigorífico meio vazio, depois de um dia de trabalho. E que, ainda assim, permite sentir: “hoje cuidei de mim”.
Marcelo Dias – Nutricionista Holon
Publicado pelo iPressJournal.pt
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