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Reunião de Geriatria da SPMI em Oeiras

Fragilidade e idadismo na reunião de Geriatria da SPMI

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

A fragilidade, a tecnologia e o valor em saúde são os eixos da 9.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, que decorre a 30 e 31 de Outubro no Lagoas Park Hotel, em Oeiras.

“Procuramos captar três conceitos que são cada vez mais pertinentes atendendo ao contexto social e demográfico que vivemos: fragilidade, tecnologia e valor”, explica Pedro Marques, membro da comissão organizadora.

Reunião de Geriatria junta fragilidade, tecnologia e valor

A realidade hospitalar já reflecte a mudança demográfica, com enfermarias de Medicina Interna a receber doentes muito idosos e frágeis. Segundo Pedro Marques, uma abordagem segundo os princípios da Geriatria pode melhorar vários indicadores.

Por sua vez, a tecnologia é o segundo eixo. Pode trazer benefícios, mas também criar barreiras quando não é concebida a pensar nas características das pessoas mais velhas. “É essencial que os avanços tecnológicos, independentemente do ramo em que surgem, acompanhem as características e necessidades dos utentes mais frágeis”, defende.

Reunião de Geriatria debate idadismo e síndromes geriátricas

Além disso, o programa inclui sessões sobre síndromes geriátricas, idadismo e reorganização dos circuitos hospitalares. Por outro lado, um painel de especialistas em cuidados paliativos, hospitalização domiciliária, bioética, nutrição e doença vascular pulmonar discute a abordagem à pessoa com fragilidade.

“Sem os profissionais conscientes do que é o idadismo, das suas consequências, de como o praticam constantemente no seu dia a dia e de como podem melhorar, é muito difícil fazer a mudança dos cuidados de saúde”, considera o médico.

Sobre a fragilidade, adverte contra o uso automático de escalas. “Nem toda a população geriátrica é frágil”, lembra. Uma situação de pré-fragilidade não identificada pode, porém, evoluir rapidamente para fragilidade moderada ou grave após uma doença aguda. Por isso, o diagnóstico exige instrumentos adequados e profissionais preparados para os interpretar.

Tirar os mais velhos do circuito das urgências

Em concreto, uma das propostas em debate é a reorganização dos percursos do doente. “É essencial repensarmos os circuitos hospitalares e de ambulatório clássicos, a forma como praticamos Medicina e como articulamos as unidades que se encontram dentro dos serviços hospitalares”, afirma Pedro Marques.

Assim, defende que, sempre que clinicamente possível, as pessoas mais velhas sejam retiradas do circuito do Serviço de Urgência, para reduzir o risco de iatrogenia. Aponta como alternativas a consulta, o hospital de dia e a hospitalização domiciliária, em articulação com os cuidados de saúde primários. Do mesmo modo, a formação em Geriatria deve abranger todos os profissionais de saúde, e não apenas os médicos.

Em suma, a mensagem central, diz, é olhar para cada pessoa como um indivíduo, e não pela idade cronológica. “O mais velho não é limitado por um número a partir do qual não há nada a oferecer ou cuja abordagem é semelhante à do adulto.” E acrescenta: “O envelhecimento é um processo contínuo que não começa aos 65 anos.”

Portugal entre os países mais envelhecidos da União Europeia

Os números enquadram o debate da reunião de Geriatria. Em 2023 havia 2.564.575 pessoas com mais de 65 anos em Portugal continental, mais 13,9 por cento do que seis anos antes, segundo uma nota de análise do PLANAPP divulgada em Maio de 2025.

Além disso, o mesmo documento cita projecções da Comissão Europeia. Segundo estas, a proporção de pessoas com 65 ou mais anos passa de 23,8 por cento em 2022 para 33,6 por cento em 2070. Assim, Portugal passará a ser o segundo país mais envelhecido da União Europeia, atrás de Itália.

As inscrições para a reunião de Geriatria decorrem através do sítio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Leia também: Bolsa reforça formação prática em Geriatria

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