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Dia do Farmacêutico: o primeiro contacto com o sistema de saúde

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A distribuição geográfica das quase três mil farmácias comunitárias, em Portugal, torna-nos altamente acessíveis à população. O farmacêutico comunitário é, muitas vezes, o primeiro contacto com o sistema de saúde, actuando como profissional de primeira linha no acesso aos cuidados primários. A farmácia comunitária é, cada vez mais, um dos primeiros locais a que as pessoas recorrem quando procuram uma solução para a sua saúde.

Papel do farmacêutico comunitário vai muito além do balcão

Ao longo dos anos, a nossa área de actuação foi alargada e a importância da nossa intervenção é cada vez mais evidente. Actualmente, o farmacêutico comunitário é responsável pela gestão do medicamento e pela preparação individualizada da medicação.

Faz rastreios de saúde, através dos quais identifica precocemente utentes de risco. Administra vacinas e medicamentos injectáveis, realiza consultas farmacêuticas e determina infecções agudas da orofaringe e infecções urinárias. Dinamiza sessões de literacia em saúde e, mais recentemente, assegura a dispensa de medicamentos em proximidade.

Quem entra na farmácia e quem deixa de entrar

Ser farmacêutico na farmácia comunitária é um papel muito gratificante. Permite-nos, acima de tudo, fazer a diferença na vida das pessoas. Muitas vezes somos casa, ombro amigo, apoio, ouvintes e conselheiros dos utentes que todos os dias nos procuram.

Vendemos aquele teste de gravidez que deu positivo, vemos a barriga a crescer, o desenvolvimento durante a primeira infância e de repente já são pré-adolescentes. Sentimos falta dos utentes que deixaram de aparecer, alguns porque mudaram de residência, outros porque foram institucionalizados ou porque, pelas circunstâncias naturais da vida, acabaram por falecer.

Somos os olhos que sinalizam e encaminham utentes em risco, que por dificuldades económicas estão condicionados no acesso a condições dignas de sobrevivência, em articulação com os serviços competentes. Esclarecemos populações migrantes sobre o acesso ao Serviço Nacional de Saúde e a cuidados básicos.

Trabalhamos em equipa, algo fundamental para disponibilizar aos utentes o serviço de excelência que tanto valorizamos. E também para nos apoiarmos mutuamente, porque para estar lá temos de estar bem.

O atendimento ao público nem sempre é fácil. Nem sempre conseguimos satisfazer a necessidade do utente que temos à nossa frente. Mas, acima de tudo, temos de ter uma certeza: fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Falta partilha de informação entre profissionais

Queremos continuar a trabalhar em equipa para além da porta da farmácia. Sabemos que, se todos os profissionais de saúde trabalharem em articulação, os maiores beneficiados serão os utentes. Apesar dos avanços dos últimos anos na partilha dos dados de saúde, há ainda muito trabalho a fazer.

A verdade é que, apesar de estarmos na primeira linha no acesso aos cuidados de saúde primários, estamos no fim da cadeia no que respeita à transmissão da informação sobre a saúde dos utentes e o tratamento. Sempre aceitámos os desafios que nos propuseram e assim vamos continuar. É um orgulho, para nós farmacêuticos comunitários, fazer parte da solução.

Elisabete Antunes, directora técnica da Farmácia Morais Soares

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