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Obesidade continua sem resposta integrada no sistema de saúde

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A obesidade continua a ser uma das doenças crónicas mais prevalentes em Portugal, afetando milhares de pessoas e colocando uma pressão crescente sobre o sistema de saúde. No Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade, assinalado a 23 de maio, especialistas alertam para a necessidade urgente de garantir uma resposta integrada, multidisciplinar e contínua no tratamento desta doença.

Apesar dos avanços científicos registados nos últimos anos, o tratamento da obesidade permanece complexo e muitas vezes frustrante, tanto para os doentes como para os profissionais de saúde.

Segundo a Dra. Isabel Fonseca, do Núcleo de Estudos de Obesidade da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), ainda persistem falhas significativas na abordagem clínica da doença, sobretudo na articulação entre cuidados de saúde e no acompanhamento prolongado dos doentes.

 

Obesidade continua marcada pelo estigma social

 

A obesidade deixou há muito de ser apenas uma questão estética ou comportamental. Atualmente, é reconhecida como uma doença crónica multifatorial, associada a alterações metabólicas, hormonais e inflamatórias complexas.

No entanto, o estigma social continua presente.

Muitos doentes sentem-se julgados, incompreendidos ou responsabilizados exclusivamente pelo seu peso, o que frequentemente conduz ao abandono do tratamento.

Além disso, mesmo perante os progressos terapêuticos disponíveis, nem sempre é possível alcançar uma perda ponderal sustentada e clinicamente satisfatória.

Segundo a especialista, o insucesso terapêutico leva frequentemente o doente a afastar-se do acompanhamento médico, sentindo que o esforço realizado nunca é suficiente.

 

Percurso clínico da obesidade continua incompleto

 

A Dra. Isabel Fonseca considera que um dos principais problemas está no incumprimento do percurso clínico da obesidade.

Tal como acontece noutras doenças crónicas, a obesidade exige linhas orientadoras bem definidas, acompanhamento regular e articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares.

Na prática, porém, esse percurso continua muitas vezes incompleto, interrompido ou mesmo inexistente.

“O sistema de saúde ainda não oferece ao doente a abordagem multidisciplinar reconhecida como fundamental para o tratamento da doença”, alerta a especialista.

Além disso, continua a faltar trabalho em rede e proximidade entre os vários profissionais envolvidos no acompanhamento do doente obeso.

 

Equipas multidisciplinares são fundamentais

 

O tratamento eficaz da obesidade depende da intervenção coordenada de vários profissionais de saúde.

Médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas devem trabalhar em conjunto para definir estratégias ajustadas às necessidades específicas de cada doente.

A abordagem começa pelo diagnóstico da obesidade e das doenças associadas. Depois, passa pela definição de objetivos terapêuticos concretos, incluindo planos nutricionais individualizados, programas de exercício físico adaptado e, sempre que necessário, apoio psicológico.

Além disso, estas intervenções permitem tratar simultaneamente várias patologias associadas à obesidade, aumentando os benefícios clínicos para o doente.

 

Medicamentos e cirurgia continuam com acesso limitado

 

Em muitos casos, o tratamento da obesidade exige recurso a terapêutica farmacológica ou cirurgia bariátrica.

Ambas as abordagens demonstram eficácia na redução ponderal e na prevenção de comorbilidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial ou doença cardiovascular.

No entanto, o acesso continua condicionado.

Segundo a SPMI, os custos elevados dos medicamentos e os longos tempos de espera para cirurgia continuam a limitar a resposta do sistema de saúde.

Neste Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna defende uma aposta mais forte no acompanhamento multidisciplinar, na melhoria do acesso à medicação e na realização atempada de cirurgia para os doentes que dela necessitam.

A longo prazo, os especialistas defendem que o combate à obesidade exige prevenção, continuidade de cuidados e políticas de saúde centradas no doente.

 

Sobre a SPMI

 

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna é uma sociedade científica dedicada à promoção da Medicina Interna em Portugal, desenvolvendo atividades de formação, investigação e sensibilização em diversas áreas clínicas, incluindo a obesidade.

 

Mais informações em: Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

 

 

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