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O Dia Mundial de Luta Contra a Sida continua a ser um momento essencial para recordar que a infecção por VIH permanece presente na sociedade, apesar dos avanços terapêuticos. Para Fausto Roxo, Coordenador do Núcleo de Estudos da Doença VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, a data deve servir para retomar um diálogo que se foi esbatendo nos últimos anos.
A doença mantém-se activa e prevenível
A infecção por VIH é hoje transmitida sobretudo por via sexual. É prevenível, tratável e, quando controlada, não transmissível. Contudo, milhares de portugueses continuam a viver com a doença e muitos chegam aos cuidados de saúde com conhecimentos mínimos sobre o VIH ou com preconceitos que persistem desde décadas anteriores.
A banalização de várias efemérides e a redução da informação pública sobre a doença contribuíram para menor atenção social. No entanto, as consultas continuam a receber novos diagnósticos diariamente, muitos deles tardios e já com complicações.
Prevenção farmacológica e novas terapêuticas
Para além do uso de preservativo, existem hoje ferramentas eficazes de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) que reduzem significativamente o risco de infecção. A evolução da terapêutica permitiu ainda regimes sem comprimidos, com injecções administradas de dois em dois meses, facilitando o cumprimento e melhorando a qualidade de vida das pessoas com VIH.
Um princípio essencial deve ser repetido: uma pessoa em tratamento, com carga viral indetectável, não transmite o vírus.
Necessidade urgente de mais rastreio
O diagnóstico tardio permanece um dos maiores desafios. O alargamento do rastreio a toda a população, independentemente da idade, género ou condição socioeconómica, é fundamental para travar a cadeia de transmissão. Os especialistas alertam que se fala cada vez menos de VIH e que os rastreios continuam insuficientes.
Combater o estigma continua a ser essencial
Apesar dos progressos clínicos, a discriminação mantém-se como um problema real. Qualquer forma de estigmatização dirigida a pessoas com VIH constitui uma violação dos direitos humanos e revela desconhecimento científico. O combate ao preconceito é parte central da resposta à doença.
Renovar o compromisso com a informação
Neste Dia Mundial de Luta Contra a Sida, os especialistas reforçam a importância de voltar a falar sobre VIH, esclarecer dúvidas, promover rastreios e reforçar a mensagem de que é possível controlar totalmente a doença. Fazer o teste pelo menos uma vez e sempre que exista risco é a única forma de garantir diagnóstico precoce, controlo viral e ausência de transmissão na comunidade.
Artigo de Opinião do Dr. Fausto Roxo.





