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Cerca de um em cada dez alunos em Portugal sente forte discriminação socioeconómica na escola, segundo um estudo do Observatório Social da Fundação la Caixa sobre desigualdades sociais. Este estudo aborda também bem-estar e expectativas de futuro entre crianças e adolescentes, mostrando como a desigualdade socioeconómica afeta bem estar dos alunos portugueses.
O estudo “Implicações da perceção de desigualdades socioeconómicas no bem-estar das crianças e nas suas aspirações” conclui que os estudantes que se percecionam numa posição socioeconómica mais baixa apresentam níveis inferiores de bem-estar. Além disso, revelam maior sentimento de discriminação e expectativas menos ambiciosas quanto ao futuro académico e profissional.
Portugal mantém níveis elevados de desigualdade social
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, 20,7% das crianças e jovens em Portugal encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social em 2024. Além disso, o coeficiente de Gini atingiu 30,9%, colocando Portugal acima da média da União Europeia em termos de desigualdade de rendimentos.
O estudo foi desenvolvido com base num inquérito realizado a 2.580 crianças e adolescentes entre os 10 e os 15 anos. Abrangeu 40 escolas de todo o país e garantiu representatividade nacional.
Discriminação socioeconómica continua presente nas escolas
Apesar de a maioria dos alunos afirmar não sofrer discriminação, cerca de 10% relata experiências negativas relacionadas com roupa, forma de falar ou ausência de bens considerados socialmente valorizados.
Os investigadores alertam que estas situações reforçam sentimentos de desigualdade e podem afetar diretamente o equilíbrio emocional e a confiança das crianças.
Segundo os autores do estudo, não são apenas as condições económicas objetivas que influenciam os jovens. Também a forma como percecionam a sua posição social relativamente aos colegas é importante.
Bem-estar e expectativas de futuro saem afetados
Os resultados mostram uma relação direta entre estatuto socioeconómico percebido, discriminação e expectativas de futuro. Os alunos que se sentem numa posição económica inferior apresentam maior probabilidade de desenvolver aspirações académicas e profissionais mais reduzidas.
Além disso, reportam níveis mais baixos de bem-estar e maior sensação de exclusão social no contexto escolar.
Os investigadores defendem que estas desigualdades podem limitar não apenas oportunidades reais. Além disso, podem condicionar a forma como as crianças encaram o próprio potencial e a mobilidade social futura.
Fundação la Caixa reforça programas educativos
O estudo integra os trabalhos do Observatório Social da Fundação ”la Caixa” sobre vulnerabilidade na infância e desigualdades sociais.
A fundação desenvolve programas educativos e sociais como o Proinfância e o EduCaixa, destinados a apoiar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Este apoio é realizado através de reforço educativo, apoio escolar e recursos pedagógicos para escolas e professores.
Mais informações sobre indicadores sociais em Portugal podem ser consultadas no Instituto Nacional de Estatística.





