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As aftas orais recorrentes e dolorosas podem ser um sinal de alerta para a Doença de Behçet, uma doença inflamatória rara que, em alguns casos, pode provocar complicações graves e incapacitantes.
No âmbito do Dia Mundial da Doença de Behçet, assinalado a 20 de maio, João Araújo Correia alerta para a desvalorização frequente destas manifestações clínicas, muitas vezes consideradas “banais”, apesar do impacto significativo na qualidade de vida dos doentes.
Doença de Behçet pode passar anos sem diagnóstico
A Doença de Behçet caracteriza-se sobretudo pela presença de aftas orais recorrentes e, por vezes, úlceras genitais semelhantes. Além disso, podem surgir lesões inflamatórias na pele e outras manifestações sistémicas.
Segundo João Araújo Correia, a ausência de análises específicas ou testes laboratoriais capazes de confirmar a doença torna o diagnóstico particularmente difícil. Assim, a identificação depende da valorização clínica dos sintomas e da evolução do quadro ao longo do tempo.
O especialista refere que muitos doentes passam anos sem diagnóstico adequado, sobretudo porque as queixas iniciais são frequentemente consideradas menores ou pouco relevantes.
Aftas recorrentes podem indicar formas mais graves
Apesar de a maioria dos casos apresentar manifestações ligeiras, a Doença de Behçet pode atingir órgãos vitais e provocar sequelas permanentes.
Entre as complicações mais graves destacam-se o envolvimento ocular, com risco de uveíte crónica e cegueira, problemas vasculares como tromboses e aneurismas, alterações neurológicas e doença inflamatória intestinal.
Além disso, podem surgir manifestações articulares inflamatórias e défices neurológicos relevantes.
Segundo o médico internista, diagnosticar a doença numa fase precoce, ainda limitada às aftas orais, pode reduzir o risco de evolução para formas clínicas mais severas.
Informação online pode aumentar ansiedade dos doentes
João Araújo Correia alerta também para os riscos da procura desorientada de informação médica na internet. O especialista recomenda que os doentes mantenham uma relação de confiança com o médico assistente e evitem recorrer ao chamado “Doutor Google” sem acompanhamento clínico.
Por outro lado, sublinha que os casos graves são menos frequentes e que existem atualmente tratamentos altamente eficazes para controlar a doença e evitar sequelas permanentes.
Segundo o especialista, mesmo nas situações clínicas mais complexas, um diagnóstico atempado permite alcançar controlo eficaz da doença.
Dia Mundial alerta para sinais ignorados
O Dia Mundial da Doença de Behçet pretende sensibilizar a população e os profissionais de saúde para uma doença rara que continua subdiagnosticada em muitos países europeus.
Apesar de apresentar maior prevalência nos países da antiga “rota da seda”, a doença continua presente no sul da Europa e pode manifestar-se através de sintomas aparentemente comuns.
Mais informações sobre doenças raras podem ser consultadas no Serviço Nacional de Saúde.
Excerto
Aftas orais recorrentes podem ser sinal de Doença de Behçet, uma doença inflamatória rara que pode provocar complicações graves se não for diagnosticada precocemente.
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