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Um em cada cinco alunos tem explicações privadas em Portugal

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Cerca de 20% dos estudantes entre os seis e os dezoito anos em Portugal frequentam explicações privadas. Este apoio educativo representa um mercado estimado em cerca de 300 milhões de euros por ano.

Os dados constam do estudo “O mercado das explicações na Península Ibérica”, desenvolvido pelo Observatório Social da Fundação ”la Caixa”. A investigação analisa como as famílias complementam o ensino formal com apoio educativo privado.

O estudo indica que a despesa média mensal por aluno é de 126,4 euros. Além disso, estima-se que cerca de 200 mil estudantes em Portugal recebam explicações fora do sistema educativo formal.

Mercado de explicações movimenta centenas de milhões

Segundo a investigação, o mercado de explicações em Portugal movimenta mais de 30 milhões de euros por mês. Este valor corresponde a cerca de 300 milhões de euros anuais.

Uma parte significativa desta atividade ocorre fora da economia formal. Apenas 58% das famílias indicam que os serviços de explicações são devidamente faturados.

Em termos absolutos, o estudo estima que mais de 269 mil alunos recebem este tipo de apoio educativo. Estes alunos pertencem a cerca de 235 mil agregados familiares.

Comparação entre Portugal e Espanha

O estudo compara também o recurso às explicações em Portugal e em Espanha. Embora a frequência seja semelhante, existem diferenças relevantes no custo e no formato das aulas.

Em Portugal, um em cada cinco alunos frequenta explicações. Em Espanha, a proporção é ligeiramente superior e atinge cerca de um em cada quatro estudantes.

Apesar disso, as famílias portuguesas gastam mais. A despesa média mensal é de 126,4 euros por aluno em Portugal, enquanto em Espanha é de cerca de 97 euros.

Outro fator relevante é o tipo de sessões. Em Portugal, as explicações individuais representam 41,8% das sessões. Em Espanha, esse formato corresponde apenas a 25,3%.

Este maior recurso ao acompanhamento individual ajuda a explicar o custo médio mais elevado suportado pelas famílias portuguesas.

Diferenças regionais no recurso a explicações

O estudo identifica também diferenças territoriais no recurso a explicações. Algumas regiões apresentam maior frequência e maior despesa associada.

O Algarve destaca-se como a região com maior despesa média por agregado familiar. Neste território, as famílias gastam em média cerca de 144 euros por mês.

No Alentejo, por outro lado, a despesa média é mais baixa. Nesta região o valor ronda cerca de 105 euros mensais por agregado familiar.

Estas diferenças mostram que o recurso a explicações varia significativamente entre regiões.

Explicações podem agravar desigualdades educativas

A investigação revela ainda diferenças relevantes entre famílias com diferentes níveis de rendimento.

Os agregados familiares com situação financeira mais confortável gastam cerca de 30% mais em explicações. Além disso, a frequência deste apoio educativo aumenta com o nível de rendimento.

Entre famílias com maiores dificuldades económicas, cerca de 17,9% dos alunos frequentam explicações. Entre famílias com situação económica mais favorável, essa proporção sobe para 25,9%.

Assim, o acesso desigual a este tipo de apoio pode contribuir para ampliar desigualdades educativas já existentes.

Procura maior no ensino secundário

O estudo mostra também que o recurso a explicações varia consoante o nível de ensino.

A incidência mais elevada regista-se no ensino secundário. Neste nível, cerca de um em cada três alunos em Portugal beneficia deste apoio educativo.

Segundo os autores, esta situação está associada ao peso dos exames nacionais. Estes exames influenciam o acesso ao ensino superior e condicionam as decisões das famílias.

Disciplinas com maior procura de explicações

A matemática é a disciplina com maior procura de explicações. Cerca de 69,8% dos alunos que recorrem a este apoio recebem explicações nesta disciplina.

O português surge em segundo lugar, com 45,8%. Seguem-se o inglês, com 19,8%, e a física e química, com 11,5%.

A maioria das sessões decorre em centros de explicações. Estes espaços representam cerca de 51,8% das aulas realizadas.

Em menor proporção, algumas sessões realizam-se no domicílio do aluno. Este formato representa cerca de 9,6% dos casos.

Aulas em grupo são as mais frequentes

O formato mais comum é o de aulas em grupo. Este modelo representa cerca de metade das sessões de explicações.

As aulas individuais correspondem a cerca de 41,8%. Este tipo de acompanhamento é mais comum em Portugal do que em Espanha.

O tempo médio semanal dedicado às explicações é de 3,1 horas. No entanto, o custo mensal médio por aluno atinge 126,4 euros.

Motivações para recorrer a explicações

A principal razão para procurar explicações está relacionada com dificuldades nas disciplinas. Cerca de 40,8% dos alunos recorrem a este apoio por essa razão.

A preparação para exames é outro motivo relevante. Em Portugal, 31,3% das famílias indicam essa razão.

Os alunos com resultados académicos mais fracos têm maior probabilidade de frequentar explicações. A taxa de frequência atinge 33,5% entre estudantes que já reprovaram.

Entre alunos que nunca reprovaram, a frequência é mais baixa. Neste grupo, a taxa ronda os 19,9%.

Pressão financeira para famílias de menores rendimentos

Apesar do custo associado, o recurso a explicações é transversal a diferentes níveis de rendimento.

Contudo, para famílias com menores rendimentos o esforço financeiro é proporcionalmente maior. Estas famílias tendem a dedicar uma parte mais significativa do orçamento a este tipo de apoio educativo.

Segundo os autores do estudo, esta situação pode levar à redução de outras despesas essenciais.

Os investigadores alertam ainda que o acesso desigual a explicações pode reforçar desigualdades educativas existentes.

Fundação ”la Caixa” reforça aposta na educação

A Fundação ”la Caixa” desenvolve vários programas centrados na educação e no desenvolvimento social.

Entre essas iniciativas destaca-se o programa Proinfância. Este projeto promove apoio educativo e social a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Além disso, a iniciativa EduCaixa disponibiliza recursos educativos a escolas, professores e alunos.

Estes programas procuram melhorar oportunidades educativas e promover maior equidade no acesso ao ensino.

nn

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