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A crescente complexidade da conformidade fiscal e a aceleração das alterações regulatórias estiveram em destaque no Tax Compliance Summit 2026, evento promovido pela Sovos e realizado em Lisboa. Um dos principais temas debatidos no evento foram os desafios da conformidade fiscal digital nas empresas portuguesas. O encontro reuniu representantes governamentais, especialistas internacionais e líderes empresariais para discutir os desafios da fiscalidade digital e da Inteligência Artificial aplicada ao setor.
De acordo com o relatório “The Speed of Regulatory Change and AI Are Redefining Global Tax Compliance”, desenvolvido pela Sovos em parceria com a CFO Dive’s StudioID, 44% das empresas admitem dificuldade em acompanhar as alterações regulatórias e as novas exigências de faturação eletrónica e e-reporting. Além disso, 61% identifica o ritmo das mudanças legislativas como o principal risco de conformidade para os próximos anos.
Empresas enfrentam pressão regulatória crescente
O estudo apresentado durante o Tax Compliance Summit conclui que mais de metade das organizações considera os novos mandatos fiscais nacionais e internacionais excessivamente complexos. Por outro lado, 56% dos inquiridos aponta a crescente complexidade das operações globais como um desafio crítico para a gestão fiscal.
Segundo Rui Fontoura, Managing Director Europe da Sovos, a conformidade fiscal entrou numa nova fase, onde já não basta cumprir obrigações legais. O responsável defende que as empresas precisam de responder rapidamente a um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, apoiando-se em tecnologia, dados e colaboração institucional.
Inteligência Artificial ganha relevância na fiscalidade
A Inteligência Artificial foi um dos principais temas debatidos no evento. Os especialistas destacaram o potencial da tecnologia para automatizar validações, interpretar dados fiscais, identificar padrões e antecipar riscos operacionais. No entanto, os participantes defenderam que a supervisão humana continua essencial em processos com impacto financeiro e regulatório relevante.
Além disso, a qualidade dos dados foi identificada como um fator crítico para a aplicação eficaz da IA à fiscalidade. Num cenário marcado por sistemas desatualizados e legislação em constante alteração, a interoperabilidade da informação tornou-se prioritária para empresas e autoridades tributárias.
Governo português reforça digitalização fiscal
No encerramento do Tax Compliance Summit 2026, a Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, defendeu uma relação fiscal mais contínua, integrada e suportada por dados digitais. A governante enquadrou esta estratégia no conceito de “Always-on Tax Compliance” e na evolução da Administração Tributária 3.0 promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Entre as medidas em curso na Autoridade Tributária e Aduaneira destacam-se o reforço do Portal das Finanças, a evolução da assistente virtual CATiA, o videoatendimento e a utilização de Inteligência Artificial no e-balcão. Ainda assim, Cláudia Reis Duarte sublinhou que a legalidade, a proporcionalidade e a segurança jurídica devem continuar a orientar a modernização fiscal.
Fiscalidade digital exige adaptação contínua
Uma das principais conclusões do evento foi que a conformidade fiscal deixou de ser apenas uma obrigação administrativa. Atualmente, fatores como integração tecnológica, qualidade dos dados, supervisão humana e adaptação rápida às exigências legais tornaram-se elementos essenciais para a resiliência das organizações.
Mais informações sobre a digitalização fiscal e serviços eletrónicos podem ser consultadas no Portal das Finanças.
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