Tempo de leitura estimado: 4 minutos
O consórcio EPIC quer aprofundar o modelo de inovação pedagógica criado para transformar o ensino superior em Portugal.
Docentes, investigadores, técnicos de educação e estudantes reuniram-se na Universidade de Aveiro, no IV Fórum EPIC. O encontro serviu para avaliar o trabalho desenvolvido e definir novos caminhos para o projecto.
O consórcio junta as universidades do Minho, Aveiro e Beira Interior. Integra ainda os institutos politécnicos do Cávado e do Ave, Leiria e Viana do Castelo.
Modelo de inovação pedagógica EPIC em avaliação
O modelo de inovação pedagógica EPIC nasceu com o objectivo de melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem.
Depois de quatro edições, quatro jornadas, dois hackathons e várias sessões de percursos, o consórcio avaliou os resultados alcançados. Além disso, debateu formas de aprofundar o referencial pedagógico desenvolvido ao longo de ano e meio.
Manuel João Costa, coordenador do consórcio, defendeu que o modelo continua aberto à participação da comunidade académica.
“Este não é um modelo fechado, está aberto a contributos de toda a comunidade”, afirmou. O responsável desafiou ainda docentes, estudantes e instituições a consultar o referencial alcançado.
Segundo Manuel João Costa, o objectivo é continuar a transformar e valorizar o ensino superior.
Diálogo entre instituições será reforçado
A adesão crescente ao projecto foi apresentada como uma das principais conquistas do consórcio. Por outro lado, foi também valorizado o compromisso das instituições envolvidas no processo de cocriação.
Manuel João Costa admitiu que ainda existem questões por definir, nomeadamente quanto ao financiamento e aos moldes de cooperação futura.
No entanto, considerou certo que o trabalho conjunto vai prosseguir. O coordenador afirmou que o movimento “não vai parar” e que existe vontade de alargar o modelo pedagógico a cursos inteiros.
Até agora, o trabalho incidiu sobretudo sobre unidades curriculares. Assim, o próximo desafio passa por aplicar a inovação pedagógica de forma mais ampla.
Ensino superior enfrenta momento crítico
Sandra Soares, vice-reitora para a Educação da Universidade de Aveiro, defendeu a necessidade de introduzir novos conceitos nas instituições.
Durante o painel de encerramento, considerou que o momento actual é crítico para o ensino superior. Segundo a docente, as instituições devem manter a sua relevância e evitar perda de valor.
Nesse contexto, Sandra Soares defendeu “uma transformação profunda dos planos curriculares e das práticas pedagógicas”.
Por sua vez, Artur Silva, reitor da Universidade de Aveiro, abriu os trabalhos com uma intervenção centrada na cultura académica de inovação.
O reitor defendeu abordagens diferenciadas, mas sem perda de exigência académica. Além disso, elogiou a cultura colaborativa do consórcio EPIC.
Inteligência artificial marcou o debate
O programa do IV Fórum EPIC incluiu sessões keynote dedicadas ao uso da inteligência artificial no ensino superior.
As intervenções estiveram a cargo de Ricardo Queirós, professor do Politécnico do Porto, e Eduardo Nunes, CEO da Kendir Studios.
As sessões abordaram vantagens, ameaças e implicações da inteligência artificial em contexto académico. Além disso, permitiram discutir novos desafios para docentes e estudantes.
O fórum incluiu ainda apresentações em formato Show & Tell e posters electrónicos. Foram apresentados 60 trabalhos das comunidades académicas das instituições parceiras.
Estes trabalhos mostraram exemplos concretos de inovação pedagógica já em curso.
Projecto apoiado pelo PRR
O projecto EPIC integra o Programa de Investimento Impulso Mais Digital.
Conta com apoio financeiro do Plano de Recuperação e Resiliência, sob gestão da Estrutura de Missão Recuperar Portugal e da Direcção-Geral do Ensino Superior.
O objectivo passa pela criação de Centros de Excelência e de Inovação Pedagógica.
Por fim, o consórcio vai procurar as melhores alternativas para garantir a continuidade do projecto e aprofundar o modelo desenvolvido.






