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FMI valida sistema financeiro, mas crédito às PME pode apertar

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A avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao sistema financeiro português confirma a estabilidade e a capacidade de resistência dos bancos nacionais. Contudo, o crédito às PME pode enfrentar análises mais rigorosas no acesso ao financiamento, segundo a consultora fiscal e financeira Capitalizar.

Esta possibilidade não corresponde a uma restrição já anunciada pelo FMI ou pelo Banco de Portugal. Trata-se de uma interpretação da consultora sobre as recomendações incluídas na avaliação.

O FMI elaborou o relatório no âmbito do Programa de Avaliação do Sector Financeiro, conhecido pela sigla FSAP. Este exercício analisa a solidez, os riscos e a supervisão do sistema financeiro.

FMI confirma resiliência dos bancos portugueses

Segundo a informação divulgada, os bancos portugueses demonstraram capacidade para enfrentar os principais choques económicos dos últimos anos. Entre estes factores estão a pandemia, a subida das taxas de juro e a instabilidade geopolítica internacional.

O sistema bancário apresenta também níveis adequados de capitalização, liquidez e rendibilidade.

Para a Capitalizar, estes resultados reforçam a confiança na capacidade dos bancos para continuarem a financiar empresas e famílias. Além disso, a avaliação afasta, no imediato, um cenário de restrições generalizadas ao crédito.

No entanto, uma avaliação positiva da estabilidade financeira não significa que os bancos aprovem ou analisem todos os pedidos de financiamento com os mesmos critérios.

Crédito às PME pode ter análise mais exigente

O FMI identifica vulnerabilidades relacionadas com a exposição dos bancos ao mercado imobiliário residencial e à dívida soberana. Estes riscos poderão justificar uma monitorização mais apertada por parte dos supervisores e das próprias instituições financeiras.

Segundo a Capitalizar, este contexto poderá traduzir-se em critérios mais exigentes na concessão de crédito, sobretudo nos sectores considerados de maior risco. Na prática, as PME poderão enfrentar análises mais detalhadas da sua situação financeira, capacidade de pagamento e exposição ao endividamento.

Contudo, o relatório não estabelece uma regra geral de agravamento do crédito às PME. A eventual mudança dependerá das políticas de risco de cada banco, da situação económica e da qualidade financeira de cada empresa.

Informação financeira ganha maior importância

A Capitalizar considera que a qualidade da informação apresentada aos bancos terá um peso crescente nos processos de financiamento.

As empresas deverão apresentar contas actualizadas, demonstrações financeiras consistentes e previsões fundamentadas. Além disso, será importante demonstrar a capacidade para gerar receitas, cumprir encargos e suportar eventuais alterações das taxas de juro.

Os bancos poderão também analisar com maior rigor a concentração de clientes, os contratos existentes e a dependência de determinados mercados. Por sua vez, projectos de investimento pouco detalhados ou assentes em previsões frágeis poderão enfrentar maiores dificuldades de aprovação.

Assim, a preparação do processo de crédito torna-se tão relevante como o valor do financiamento solicitado.

Garantias imobiliárias exigem acompanhamento

A consultora chama ainda a atenção para as empresas que utilizam imóveis como garantia bancária.

A exposição do sistema financeiro ao mercado imobiliário poderá aumentar o cuidado aplicado às avaliações destes activos. Uma redução do valor atribuído aos imóveis pode afectar o montante financiado ou levar o banco a solicitar garantias adicionais.

Por outro lado, a evolução das políticas internas das instituições pode alterar os rácios utilizados na avaliação do risco. As empresas devem, por isso, acompanhar o valor das garantias, as condições dos contratos e as exigências associadas ao financiamento.

Esta análise é particularmente relevante para PME com elevada dependência de crédito bancário ou com reduzidas reservas de liquidez.

Capitalizar recomenda prudência financeira

José Pedro Pais, partner da Capitalizar, considera que as empresas devem preparar-se para um contexto internacional marcado pela incerteza.

“Recomendamos às empresas que reforcem a sua liquidez, diversifiquem fontes de financiamento e adoptem uma gestão financeira prudente”, afirma.

O responsável sublinha que a avaliação do FMI é positiva, mas não elimina os riscos económicos e financeiros.

“As empresas que melhor responderem serão as que anteciparem mudanças e reforçarem a sua capacidade financeira”, acrescenta.

A diversificação pode passar por diferentes bancos, capitais próprios, instrumentos de garantia, fundos de investimento ou programas públicos de apoio.

Contudo, cada solução apresenta custos, riscos e requisitos próprios, que a empresa deve avaliar antes da contratação.

A conclusão central é que o sistema financeiro português permanece estável, mas as empresas não devem interpretar essa estabilidade como garantia de crédito fácil. Assim, o crédito às PME continuará dependente da qualidade da informação e da preparação financeira de cada empresa.

Para as PME, a organização financeira, a liquidez e a qualidade dos projectos continuarão a ser determinantes no acesso ao financiamento.

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