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O setor do retalho está a preparar-se para uma das maiores transformações das últimas décadas. A substituição gradual do tradicional código de barras pelos códigos 2D inteligentes foi apontada como uma prioridade estratégica durante a 14.ª Conferência de Supply Chain do Retalho, promovida pela GS1 Portugal.
Por outro lado, a crescente exigência dos consumidores, a evolução das normas europeias e a necessidade de maior transparência são fatores decisivos. Em conjunto, estão a acelerar a digitalização das cadeias de abastecimento. Neste contexto, a capacidade de gerir dados de forma eficiente torna-se um fator decisivo para a competitividade das empresas.
A próxima fronteira da competitividade está nos dados
Durante a sessão de abertura, Paulo Gomes, diretor-geral da GS1 Portugal, foi um dos oradores. O responsável destacou a transformação profunda que o setor atravessa. A transição para códigos bidimensionais permitirá disponibilizar aos consumidores informações detalhadas sobre validade, origem, sustentabilidade, segurança e circularidade dos produtos.
Segundo o responsável, a evolução tecnológica exigirá novas competências, liderança e capacidade de adaptação, numa mudança que permitirá transformar simples códigos em inteligência operacional.
Assim, a nova geração de códigos digitais contribuirá para uma maior transparência e para uma gestão mais eficiente das cadeias de abastecimento.
Digitalização reforça a competitividade das empresas
A construção de cadeias de abastecimento mais inteligentes está alinhada com os objetivos europeus de sustentabilidade e resiliência.
Júlia Tomaz, diretora de Planeamento e Políticas de Empresa do IAPMEI, salientou que a digitalização permite às empresas tomar decisões mais informadas. Além disso, ajuda a aumentar a rastreabilidade, reduzir erros e melhorar a gestão dos dados.
Além disso, destacou a importância dos instrumentos de apoio ao investimento, como o SIAC Digitalização e a Linha IA para PME. Estes mecanismos ajudam a impulsionar a inovação e a competitividade empresarial.
Além disso, a responsável considera que a inteligência artificial terá um papel cada vez mais relevante na análise preditiva e no apoio à tomada de decisões.
Passaporte Digital do Produto exigirá reorganização dos dados
Uma das principais mudanças será a implementação do Passaporte Digital do Produto (PDP), uma iniciativa europeia que exigirá um trabalho aprofundado ao nível da organização e validação da informação.
Maria João Graça, vogal da direção do Instituto Português da Qualidade, referiu que muitas empresas já dispõem da informação necessária. No entanto, terão de a estruturar de forma mais eficiente.
Por isso, entre as prioridades identificadas estão a leitura das normas aplicáveis, o mapeamento dos dados existentes, a identificação de lacunas e a avaliação dos sistemas de informação.
Igualmente, a responsável sublinhou a importância de reforçar a rastreabilidade da cadeia de valor, adotar standards internacionais e acompanhar os trabalhos da Comissão Técnica 228.
Códigos 2D vão coexistir com os códigos tradicionais
Artur Andrade, diretor de Community Engagement da GS1 Portugal, apresentou o plano de implementação dos códigos bidimensionais.
Por enquanto, durante um período de transição, os códigos de barras tradicionais continuarão presentes nas embalagens em simultâneo com os novos códigos 2D. Esta coexistência manter-se-á até que todos os pontos de venda estejam preparados para operar exclusivamente com a nova tecnologia.
A mudança será gradual, mas inevitável.
Tesco demonstra ganhos operacionais e financeiros
A conferência apresentou ainda o caso de estudo da Tesco, através da intervenção de Anne Godfrey, CEO da GS1 UK.
Em concreto, a retalhista britânica iniciou a adoção dos QR Codes com tecnologia GS1 em 2018, inicialmente com o objetivo de reduzir o desperdício alimentar.
No entanto, a empresa acabou por alcançar benefícios adicionais, que incluem ganhos operacionais e melhoria da disponibilidade dos produtos nas lojas. A estes juntam-se o reforço do cumprimento regulamentar e maior eficiência financeira.
Por fim, a Tesco é atualmente considerada um exemplo internacional de como a tecnologia pode contribuir simultaneamente para a sustentabilidade e para a eficiência operacional no setor do retalho.
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