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O CDI – Center of Digital Inclusion estima que, até 2027, mais de 30 mil jovens em Portugal possam estar em risco de adição aos videojogos. A organização assinala o Dia Internacional do Gamer com um apelo à criação de comunidades de gaming saudáveis, inclusivas e éticas.
Além disso, segundo dados citados pela organização, cerca de 80 por cento dos jogadores já sofreram comportamento abusivo online. O CDI refere ainda que 3,05 por cento dos jovens em todo o mundo apresentam perturbação relacionada com o gaming, conhecida por Gaming Disorder.
Comunidades de gaming saudáveis travam a toxicidade entre jovens
A organização sublinha que a toxicidade, o assédio e outros comportamentos abusivos podem afectar negativamente o bem-estar dos jovens. No entanto, o CDI Portugal recusa a narrativa simplista. A organização defende antes comunidades de gaming saudáveis como parte da solução.
Os videojogos constituem hoje uma das maiores indústrias culturais mundiais. Além disso, os jogos online desenvolvem competências como o trabalho em equipa, o pensamento estratégico, a criatividade e a resolução de problemas. Deste modo, o gaming pode funcionar como porta de entrada para carreiras em tecnologia, design, programação e inovação.
InGaming leva sessões gratuitas às escolas
Assim, o CDI Portugal criou o projecto InGaming – Vai às Escolas, apoiado pelo Programa Regional NORTE 2030. Actualmente, a iniciativa funciona em duas vertentes complementares. “Jogos e Bem-Estar” promove o uso consciente de videojogos, enquanto “Ecrãs e Bem-Estar” trabalha a literacia digital e o pensamento crítico.
Por sua vez, os estudantes universitários asseguram parte do projecto. Estes candidatam-se a embaixadores e deslocam-se às escolas para dinamizar sessões adaptadas a cada faixa etária, do 4.º ao 12.º ano. As sessões são gratuitas e não têm custos para as escolas.
Desde o lançamento, em 2024, o projecto beneficiou 5.134 pessoas. Já na edição de 2025/26 chegou a 2.648 participantes. Este número inclui 2.195 alunos, 71 estudantes universitários embaixadores, 230 professores, 57 encarregados de educação, 20 psicólogos e 75 outros interessados no tema.
Combater a toxicidade sem censurar o jogo
Em primeiro lugar, o projecto assenta no princípio de que combater a toxicidade não é censurar. A organização defende que por detrás de cada avatar existe uma pessoa real. Por isso, sustenta que competir não é humilhar, ganhar não é excluir e jogar não pode magoar.
O InGaming capacita jovens, educadores e escolas para construir comunidades de gaming saudáveis. Além disso, ensina a identificar comportamentos abusivos e a responder com empatia. Assim, a abordagem preventiva assenta na literacia, na gestão emocional e na responsabilidade colectiva.
“O gaming é parte da solução, não o problema. Assistimos a toxicidade online crescente, mas a resposta não é desencorajar os jovens, mas antes criar condições para que joguem conscientemente”, afirma João Baracho, director executivo do CDI Portugal.
Depois, o responsável acrescenta que o projecto representa “o compromisso em transformar o gaming numa comunidade inclusiva, onde excelência e humanidade caminham juntas”. Defende ainda que, para haver comunidades de gaming saudáveis, é preciso “agir precocemente e colaborativamente”.
Como participar no projecto de comunidades de gaming saudáveis
Entretanto, as escolas interessadas podem inscrever-se para acolher sessões de sensibilização gratuitas, com conteúdos específicos para cada grupo etário. Por sua vez, o CDI recruta estudantes universitários com interesse em saúde mental e gaming para a função de embaixadores, oferecendo formação especializada e certificado reconhecido.
A organização disponibiliza também webinares para professores e encarregados de educação. Existe ainda um concurso de projectos para alunos sobre gaming e bem-estar digital. As inscrições e informações estão em sítio do CDI Portugal.
Por fim, o CDI chegou a Portugal em Maio de 2013. A organização não governamental promove a literacia digital e o exercício da cidadania, e lançou no país projectos como o Apps for Good Portugal e o Centro de Cidadania Digital.
Leia também a iniciativa que juntou gaming e cultura pop com a chancela do Instituto Piaget.






