Tempo de leitura estimado: 3 minutos
A eventual atribuição do Prémio Nobel da Paz a Donald Trump voltaria a colocar um presidente dos Estados Unidos entre os laureados de Oslo. Se tal acontecer, Trump tornar-se-á o quinto chefe de Estado norte-americano a inscrever o seu nome nesta prestigiada distinção, ao lado de Theodore Roosevelt, Woodrow Wilson, Jimmy Carter e Barack Obama.
A história mostra que o Nobel da Paz, quando entregue a presidentes americanos, nunca foi indiferente nem consensual. Theodore Roosevelt recebeu-o em 1906, pelo papel de mediador no conflito russo-japonês, abrindo caminho a uma nova diplomacia internacional que começava a afirmar os Estados Unidos no início do século XX. Poucos anos depois, em 1919, Woodrow Wilson seria distinguido como o idealista fundador da Sociedade das Nações, precursora das atuais Nações Unidas.
Décadas mais tarde, Jimmy Carter, já fora da Casa Branca, foi premiado em 2002 pela ação humanitária e diplomática em defesa dos direitos humanos e da resolução pacífica de conflitos. O reconhecimento, embora tardio, foi amplamente consensual e refletiu o trabalho continuado do Carter Center, instituição dedicada à promoção da paz e à luta contra a pobreza e as doenças em várias regiões do mundo.
O caso mais mediático e controverso, contudo, foi o de Barack Obama, distinguido em 2009, apenas nove meses depois de assumir a presidência. O Comité Nobel justificou a escolha pelos “esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”. A decisão, porém, gerou polémica global: muitos viram nela um prémio à promessa e não à ação — uma espécie de voto de confiança num líder recém-eleito que simbolizava esperança e mudança. À época, os Estados Unidos continuavam envolvidos em operações militares no Afeganistão e no Iraque, e a política externa de Washington ainda não tinha produzido resultados concretos em matéria de paz. O próprio Obama admitiu estar “surpreendido e humildemente honrado”, reconhecendo que não tinha ainda feito o suficiente para justificar tamanha distinção. A atribuição acabou por assumir um caráter simbólico: um prémio à expectativa de um novo tempo político.
Com Donald Trump, o debate reacende-se. Durante o seu mandato entre 2017 e 2021, o ex-presidente reivindicou méritos diplomáticos, nomeadamente o acordo de normalização entre Israel e vários países árabes — os chamados Acordos de Abraão —, bem como a inédita tentativa de aproximação à Coreia do Norte. Foram precisamente esses episódios que levaram alguns apoiantes a propor o seu nome ao Comité de Oslo, ainda que entre fortes divisões e resistências.
O Nobel da Paz é, contudo, mais do que um troféu político. É um símbolo de reconciliação, de diálogo e de compromisso duradouro com a paz. A questão que se coloca, portanto, não é apenas se Trump poderá recebê-lo, mas que mensagem o mundo interpretaria se tal acontecesse.
Como curiosidade, apenas um presidente americano — Theodore Roosevelt — compareceu pessoalmente à cerimónia em Oslo para receber o prémio, gesto que marcou a história do Nobel e reforçou o prestígio internacional dos Estados Unidos na época. Desde então, a relação entre a Casa Branca e o Comité Nobel tem oscilado entre a diplomacia e a controvérsia, refletindo a tensão constante entre o poder político e os ideais universais da paz.





