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A hérnia discal na mulher

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

A dor lombar é uma das queixas mais frequentes na população adulta. No entanto, quando afeta mulheres, as causas e consequências tendem a ser frequentemente subestimadas. É fundamental compreender as causas, sintomas e opções de tratamento da hérnia discal na mulher.

Dor lombar afeta grande parte da população adulta

A dor lombar atinge cerca de dois terços dos adultos em algum momento da vida. Apesar desta elevada prevalência, menos de 5 % dos casos estão associados a doenças dos discos da coluna vertebral.

Entre essas patologias, a hérnia discal é uma das mais conhecidas. Esta condição ocorre quando o material do disco intervertebral se desloca da sua posição habitual, podendo comprimir estruturas nervosas e provocar dor lombar ou ciática.

Os sintomas podem incluir dor que irradia para a perna, sensação de formigueiro, fraqueza muscular e dificuldade em realizar movimentos simples do quotidiano.

Na maioria dos casos, a evolução é favorável sem necessidade de cirurgia. Ainda assim, o impacto físico e emocional da doença pode ser significativo, sobretudo entre mulheres.

Fatores profissionais e biológicos aumentam risco

Entre os 30 e os 50 anos, período de maior incidência da doença, muitas mulheres acumulam múltiplas responsabilidades familiares e profissionais.

Além disso, diversas atividades laborais implicam esforço físico repetido. Profissões nas áreas da limpeza, indústria, agricultura, cuidados a idosos ou saúde colocam frequentemente uma carga elevada sobre a coluna vertebral.

A estes fatores somam-se características biológicas específicas. Gravidez, menopausa e alterações hormonais podem influenciar a força e estabilidade das estruturas da coluna.

Durante a gravidez, por exemplo, o aumento de peso e a alteração do centro de gravidade provocam mudanças na curvatura lombar e na flexibilidade das articulações.

Embora as hérnias discais durante a gestação sejam raras, a dor lombar é muito comum neste período e pode persistir após o parto.

Alterações hormonais aceleram desgaste discal

Com o envelhecimento, o desgaste dos discos intervertebrais tende a intensificar-se.

Estudos indicam que o estreitamento discal pode ocorrer de forma mais rápida nas mulheres, sobretudo após os 70 anos.

A diminuição dos níveis de estrogénios durante a menopausa contribui para acelerar este processo degenerativo. Como consequência, podem surgir mais episódios de dor, limitação funcional e redução da mobilidade.

Diagnóstico adequado é essencial para o tratamento

Apesar da elevada prevalência da dor lombar, muitas queixas continuam a ser interpretadas de forma simplista.

Em vários casos, os sintomas são atribuídos apenas ao cansaço ou ao stress. No entanto, compreender as causas reais da dor é essencial para um tratamento adequado.

A abordagem clínica pode incluir avaliação médica, fisioterapia, programas de exercício adaptado e educação sobre postura e movimento.

A cirurgia é geralmente reservada para situações em que existe dor incapacitante ou compressão neurológica significativa.

Para a maioria dos doentes, a recuperação baseia-se em tratamentos conservadores, controlo da dor e reabilitação progressiva.

Sensibilização para a saúde da coluna

A campanha “Olhe pelas suas costas”, lançada em 2009, procura sensibilizar a população para a importância da prevenção e tratamento das dores nas costas.

A iniciativa conta com o apoio de várias entidades científicas nacionais, incluindo sociedades médicas ligadas à ortopedia, neurocirurgia, medicina física e reabilitação, medicina geral e familiar e estudo da dor.

O objetivo é alertar para o impacto das dores nas costas na qualidade de vida e promover informação sobre prevenção e tratamento.

Mais informações podem ser consultadas em:
https://olhepelassuascostas.pt/

Dr.João Moreno Morais
Serviço de Ortopedia
ULS Coimbra, CUF Coimbra, Leiria e Viseu

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