Tempo de leitura estimado: 4 minutos
Sintoma pouco reportado afeta milhões de mulheres e compromete a qualidade de vida e a intimidade — mas existem soluções eficazes e seguras.
A secura vaginal, um dos sintomas centrais da síndrome geniturinária da menopausa, é uma condição de elevada prevalência, mas ainda pouco abordada em consulta. Estima-se que entre 50% e 70% das mulheres na pós-menopausa sofram deste problema¹, embora apenas uma minoria procure ajuda médica.
Em vésperas do Dia Mundial da Menopausa, a ginecologista Mónica Gomes Ferreira, da MS Medical Institutes e da CUF Descobertas, alerta para a importância de quebrar o silêncio e desmistificar este tema, que continua a ser tabu tanto na sociedade como nos próprios consultórios médicos.
Alterações fisiológicas e impacto na qualidade de vida
A síndrome geniturinária da menopausa resulta da diminuição da produção de estrogénios, o que leva a alterações significativas na mucosa vulvo-vaginal: afinamento do epitélio, perda de elasticidade, redução da lubrificação e alterações da vascularização e da microbiota.
Estas mudanças provocam sintomas como prurido, ardor, dor durante as relações sexuais (dispareunia), fragilidade da mucosa e maior suscetibilidade a infeções. A frequência e o prazer da atividade sexual diminuem, afetando a autoestima e a intimidade do casal.
“A secura vaginal é comum, tratável e não deve ser motivo de vergonha. Afeta a qualidade de vida e o bem-estar, mas existem soluções eficazes. É essencial que as mulheres falem com o seu médico”, sublinha a Dra. Mónica Gomes Ferreira.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico baseia-se numa avaliação clínica que identifica as alterações da mucosa e a sua gravidade. As opções terapêuticas incluem:
-
Lubrificantes de base aquosa (para uso durante as relações sexuais) e hidratantes vaginais (uso regular) — medidas de primeira linha, não hormonais.
-
Terapia hormonal local com estrogénios vaginais (em creme, anel ou comprimido) — eficaz para restaurar a espessura do epitélio, melhorar a lubrificação e reduzir a dor, indicada em casos moderados a graves.
-
Ácido hialurónico (HLA) — alternativa não hormonal com evidência científica de melhoria da secura e do conforto sexual, adequada para mulheres que não podem ou não desejam recorrer a hormonas.
-
Terapias inovadoras, como laser fracionado ou radiofrequência, que estimulam a remodelação tecidular e têm demonstrado benefícios significativos.
A especialista destaca ainda a importância da higiene íntima adequada, evitando sabonetes agressivos, e da atividade sexual regular, que contribui para a manutenção da vascularização e da saúde local.
O papel da microbiota vaginal
A microbiota vaginal, dominada por Lactobacillus spp. em idade fértil, protege contra infeções e mantém o pH ácido. Na menopausa, a redução dos estrogénios altera o pH e diminui a presença destes lactobacilos, o que favorece o aparecimento de infeções e desconforto.
“Tratar a mucosa vaginal ajuda também a restaurar a microbiota, reduzindo sintomas e prevenindo infeções recorrentes”, explica a médica.
Quebrar o tabu
Apesar de existir tratamento eficaz, a secura vaginal continua a ser pouco discutida. Muitas mulheres sentem vergonha, e nem sempre os profissionais de saúde abordam o tema de forma proativa.
“É urgente normalizar esta conversa. Informação clara, campanhas de sensibilização e formação dos profissionais são passos essenciais para garantir que cada mulher saiba que não está sozinha”, reforça a ginecologista.
Sobre o Biocodex Microbiota Institute
O Biocodex Microbiota Institute é a primeira plataforma internacional dedicada ao estudo da microbiota humana. Com base na experiência científica da Biocodex, promove a disseminação de conhecimento e investigação sobre o papel da microbiota na saúde, em colaboração com profissionais e instituições de todo o mundo.
Referência:
¹ Angelou K. et al., The Genitourinary Syndrome of Menopause: An Overview of the Recent Data. Cureus (2020 Apr 8; 12(4): e7586. doi: 10.7759/cureus.7586)
nn
Veja também: O pesadelo das camas extra nos Serviços de Medicina Interna
nn
Veja também: ARS Algarve entrega viaturas elétricas no âmbito do ECO-Mob





