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Psicóloga alerta para impacto das feridas emocionais nos pais

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No âmbito do Dia da Criança, assinalado a 1 de junho, a psicóloga Bárbara Ramos Dias alerta para a importância de os pais cuidarem das próprias feridas emocionais. Defende que muitas dificuldades na relação com os filhos têm origem em experiências mal resolvidas da infância.

Especialista em adolescentes e autora de vários livros sobre parentalidade, Bárbara Ramos Dias considera que a parentalidade consciente começa no equilíbrio emocional dos adultos. Assim, defende um trabalho interior contínuo por parte dos cuidadores.

Segundo a psicóloga, “um pai ou mãe podem amar profundamente um filho, e mesmo assim reagir a partir da sua dor, e não da realidade”.

Como as feridas emocionais dos pais afetam a relação com os filhos

A especialista explica que muitas reações intensas dos pais resultam de feridas emocionais antigas. Por isso, certos comportamentos dos filhos funcionam como gatilhos.

“As nossas feridas emocionais não desaparecem só porque crescemos”, afirma Bárbara Ramos Dias. Acrescenta ainda que estas experiências funcionam frequentemente como “botões invisíveis” ativados involuntariamente pelos filhos.

Além disso, a psicóloga sublinha que situações normais do crescimento dos filhos podem reativar feridas antigas. Como consequência, geram reações desproporcionais.

Psicóloga destaca cinco feridas emocionais

O conceito das cinco feridas emocionais foi popularizado pela autora canadiana Lise Bourbeau. As feridas incluem o abandono, a rejeição, a humilhação, a traição e a injustiça.

Com mais de 25 anos de experiência clínica, Bárbara Ramos Dias considera que estas feridas se refletem frequentemente na parentalidade. Por exemplo, pais com ferida de abandono podem interpretar o afastamento natural de um adolescente como sinal de rejeição pessoal.

“Às vezes, o filho só está a crescer… mas o pai revive emocionalmente um abandono antigo”, explica a especialista.

Relação familiar deve ser analisada em conjunto

A psicóloga defende que os adolescentes não crescem isolados. Pelo contrário, desenvolvem-se dentro de um sistema familiar.

Por essa razão, a primeira consulta costuma ser realizada com os pais. Esta abordagem permite compreender a dinâmica familiar, os padrões emocionais e possíveis fragilidades existentes.

Segundo Bárbara Ramos Dias, muitas dificuldades dos adolescentes representam respostas emocionais ao ambiente em que vivem. Ainda assim, considera fundamental esclarecer que ter feridas emocionais não transforma ninguém em “mau pai” ou “má mãe”.

Livro aborda importância de estabelecer limites

No seu mais recente livro, “Dizer não é um ato de amor”, a autora aborda os desafios da imposição de limites na educação dos filhos. A obra apresenta estratégias práticas para ajudar os pais a estabelecer regras claras.

De igual modo, o livro ajuda os pais a lidar com a frustração das crianças e adolescentes. Por sua vez, Bárbara Ramos Dias defende que proteger excessivamente os filhos do desconforto pode ser contraproducente. Esta atitude dificulta o desenvolvimento emocional e a capacidade de lidar com frustrações futuras.

Em suma, compreender como as feridas emocionais dos pais afetam a relação com os filhos é o primeiro passo para uma parentalidade mais consciente e equilibrada.

Mais informações: Bárbara Ramos Dias

Bárbara Ramos Dias psicóloga

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