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Pacheco Pereira inaugura exposição sobre censura no Estado Novo no IPS

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O Politécnico de Setúbal inaugurou a exposição “Proibido por inconveniente – Materiais da censura do Arquivo Ephemera”, uma mostra dedicada à compreensão histórica e crítica da censura em Portugal durante o Estado Novo. Esta exposição sobre censura do Estado Novo em Portugal, organizada pelo IPS em colaboração com o Arquivo Ephemera, oferece um olhar aprofundado sobre documentos e materiais que ilustram este período.

A inauguração decorreu no átrio da Escola Superior de Educação do IPS e contou com a presença do historiador José Pacheco Pereira, fundador do Arquivo Ephemera. O investigador destacou a importância histórica do espólio e a sua clara intenção pedagógica.

Exposição sobre censura no Estado Novo reúne materiais inéditos

A mostra apresenta um conjunto inédito de documentos que ajuda a compreender os mecanismos de censura aplicados em Portugal durante a ditadura.

Segundo José Pacheco Pereira, este núcleo expositivo integra um espólio mais vasto, comparável em valor e dimensão ao existente na Torre do Tombo. Em alguns aspetos, considera mesmo que o conjunto pode ser mais relevante, por incluir despachos sobre alguns dos livros censurados mais conhecidos.

Entre os exemplos apresentados estão “Aparição”, de Vergílio Ferreira, e “Novas Cartas Portuguesas”, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. Este último caso é apontado como paradigmático da repressão exercida sobre mulheres que contrariavam os padrões morais impostos pelo regime.

Censura condicionou jornais, livros e outros meios

A exposição resulta de uma parceria entre o Arquivo Ephemera e as Bibliotecas do IPS. Além disso, evidencia de que forma a censura moldou a informação disponibilizada à população ao longo de décadas.

O conjunto apresenta sobretudo exemplos da censura oficial sobre jornais e livros. No entanto, inclui também materiais ligados ao controlo exercido sobre cinema, rádio e música.

Assim, a mostra oferece um retrato alargado dos mecanismos que limitaram a liberdade de expressão durante o Estado Novo.

Documentos mostram o que o país não podia ver

José Pacheco Pereira defendeu que esta é uma exposição para ler e que deve ser vista pelo maior número de pessoas. Segundo o historiador, os documentos expostos permitem perceber muito do que os portugueses não podiam saber ao longo de 48 anos.

Entre os materiais presentes encontra-se também o primeiro número do jornal “República” publicado em liberdade, já na tarde de 25 de abril de 1974, com a indicação de que não tinha sido visado por qualquer comissão de censura.

Por outro lado, a exposição evidencia também a vertente propagandística do regime, ao projetar uma imagem idealizada do país, sem corrupção, sem participação cívica e rigidamente enquadrada pelos costumes dominantes.

Mostra pode ser visitada até 30 de abril

Na sessão de inauguração, Rodrigo Lourenço, vice-presidente para o Ensino e Aprendizagem, sublinhou a importância da iniciativa para reforçar a dimensão cultural na formação dos estudantes e estimular a reflexão sobre a democracia.

Por sua vez, João Pires, diretor da ESE/IPS, salientou o simbolismo do edifício, projetado por Siza Vieira, como espaço associado à liberdade e à democracia.

A exposição está aberta ao público em geral até 30 de abril. Pode ser visitada nos dias úteis, entre as 08h00 e as 22h30, e aos sábados, entre as 08h00 e as 18h00.

Fonte oficial: site do Politécnico de Setúbal.

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