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Mercado global de super-prime abranda, mas mantém níveis históricos de resiliência

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O mercado global de imobiliário super-prime registou um abrandamento conjuntural no terceiro trimestre de 2025, mas continua a revelar sinais robustos de procura internacional. As conclusões constam do relatório Global Super-Prime Intelligence da Knight Frank, multinacional com a qual a consultora portuguesa Quintela + Penalva está associada desde 2021.

O segmento super-prime abrange transações superiores a 10 milhões de dólares. Nos 12 mercados avaliados — Dubai, Los Angeles, Nova Iorque, Hong Kong, Londres, Singapura, Orange County, Palm Beach, Miami, Genebra, Paris e Sidney — foram contabilizadas 474 vendas, menos 21% do que no trimestre anterior, num volume total de 8,5 mil milhões de dólares.

Portugal mantém atractividade no segmento de alto valor

Embora o relatório não inclua Portugal, por inexistência de volume suficiente de transações acima de 10 milhões de dólares para integrar o ranking, a tendência internacional tem beneficiado o mercado nacional. Segundo Francisco Quintela, sócio-fundador da Quintela + Penalva, Lisboa, Porto, Algarve, Estoril, Cascais, Troia, Comporta e Melides continuam a captar investidores estrangeiros devido à estabilidade económica e ao potencial de valorização dos activos nacionais.

Desaceleração global explicada por factores conjunturais

A Knight Frank aponta o contexto político, a pressão fiscal e a escassez de oferta como factores que condicionaram o trimestre. Ainda assim, o panorama anual mantém-se sólido: nos últimos 12 meses registaram-se 2.185 vendas super-prime, o valor mais elevado desde 2021.

Dubai mantém liderança mundial

O Dubai continua a liderar o mercado global, mesmo após uma correcção trimestral de 28%. No terceiro trimestre foram registadas 103 transações, acima de dois mil milhões de dólares em vendas. A forte procura internacional mantém pressão num mercado com oferta reduzida.

Estados Unidos: trimestre misto entre costas

Nova Iorque registou 74 transações, menos 38% face ao trimestre anterior, influenciada por menor actividade pré-eleitoral. Em Los Angeles foram concretizadas 64 vendas, num total de 1,25 mil milhões de dólares, embora com valores médios inferiores aos do trimestre anterior. Miami perdeu dinamismo e Palm Beach registou a descida mais acentuada, com apenas seis transações.

Ásia: Hong Kong acelera e Singapura destaca-se

Hong Kong contabilizou 56 vendas, um crescimento de 6%, atingindo 1,04 mil milhões de dólares em volume total. Singapura registou o maior aumento trimestral entre os mercados avaliados: 36 transações, mais 44%, e uma subida de 50% no valor total transaccionado.

Europa: Londres reflecte incerteza fiscal

Londres somou apenas 36 transações (menos 31% face ao trimestre anterior), penalizada pela especulação associada a potenciais alterações fiscais. Genebra e Paris mantiveram níveis reduzidos de actividade, alinhados com os padrões dos últimos anos.

Segmento super-prime mantém resiliência estrutural

A Knight Frank sublinha que a volatilidade trimestral é típica deste segmento. Factores políticos, fiscais e de oferta explicam oscilações de curto prazo, mas a tendência anual permanece sólida. Segundo Liam Bailey, Global Head of Research da Knight Frank, os registos mantêm-se entre os mais altos desde 2021, sinalizando resiliência de longo prazo.

A dinâmica global mantém os principais centros com perfis distintos:

• Dubai lidera devido ao fluxo internacional de capital.
• Nova Iorque deverá estabilizar após o ciclo eleitoral.
• Los Angeles mantém procura forte em activos unifamiliares de topo.
• Hong Kong reforça trajectória de recuperação.
• Londres enfrenta desafios fiscais temporários.

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