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O mercado habitacional em Portugal registou uma alteração estrutural entre 2024 e 2025, marcada pela redução da oferta de imóveis para compra e pelo crescimento consistente do arrendamento. A tendência de arrendamento cresce enquanto oferta de compra recua em Portugal é cada vez mais notória no sector. De acordo com dados do Imovirtual, esta evolução está a impactar diretamente as opções disponíveis para quem procura comprar ou arrendar casa.
Neste contexto, o número de apartamentos disponíveis para compra caiu mais de 30% num ano, passando de 1.524.674 anúncios em 2024 para 1.057.552 em 2025. Esta quebra representa menos 467.122 imóveis no mercado. Da mesma forma, a oferta de moradias para venda registou uma redução superior a 19%, totalizando agora 774.416 anúncios, menos 184.059 face ao ano anterior.
No segmento dos apartamentos para compra, o Porto mantém o maior volume de oferta, com 362.575 anúncios em 2025, apesar de uma redução de 26,8%. Lisboa surge logo a seguir, com 251.763 imóveis disponíveis, mas regista a quebra mais acentuada entre os grandes mercados, superior a 40%. Setúbal e Aveiro acompanham esta tendência, reforçando a dificuldade crescente em encontrar oferta para compra nas zonas de maior pressão habitacional.
Em sentido inverso, o mercado de arrendamento de apartamentos continua a ganhar expressão. Lisboa lidera em volume absoluto, com 61.816 anúncios em 2025, um crescimento de 11,5%. Seguem-se o Porto, com 34.010 apartamentos disponíveis (+20,4%), Setúbal, com 8.905 (+28,6%), Braga, com 6.902 (+33,2%), e Faro, com 6.029 imóveis para arrendar (+5,1%).
O mesmo padrão verifica-se no segmento das moradias. No arrendamento, a oferta cresce em vários territórios, com destaque para o Porto, que soma 3.419 casas disponíveis (+14,7%), Setúbal, com 3.027 (+18,6%), e Braga, onde a oferta sobe para 1.655 moradias (+27,2%). Estes dados evidenciam um reforço da disponibilidade de casas para arrendamento fora dos centros urbanos mais pressionados.
Já no mercado de compra de moradias, a tendência é de retração generalizada. Lisboa passa a contar com 101.271 imóveis para venda (-25,9%), o Porto regista 107.589 anúncios (-29,1%) e Setúbal recua para 81.645 casas (-23,1%). Faro surge como exceção parcial, com 82.729 moradias disponíveis, refletindo uma ligeira subida de 1,5%, associada à resiliência do mercado turístico e à procura por segunda habitação.
Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados revelam uma mudança clara na estrutura do mercado habitacional em Portugal. Além disso, a redução da oferta para compra, sobretudo nos grandes centros urbanos, contrasta com o crescimento do arrendamento, refletindo novas dinâmicas económicas, de mobilidade e de decisão de investimento.
Em conclusão, o mercado imobiliário apresenta-se cada vez mais assimétrico. A oferta cresce sobretudo no arrendamento e concentra-se nos principais centros urbanos, enquanto a oferta para compra encolhe de forma transversal. Lisboa e Porto continuam a liderar em volume, mas registam quebras expressivas na oferta para venda, sinalizando uma pressão estrutural que se estende a outros distritos, num mercado em clara transformação.
