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Ernani Balsa

OS SONHOS SÃO SEMPRE COLORIDOS

Todas as semanas chego aqui, a esta mesma página em branco e interrogo-me. É certo que muitas vezes já tenho em mente algo sobre o que escrever. Falta-me apenas a forma, o tom e encontrados esses condimentos da escrita, o texto flui naturalmente e encontro até novas abordagens que o podem enriquecer. Mas o que fazer quando apenas se quer escrever sobre o nada? Escrever como meio de reflexão? Como catarse de qualquer coisa ou simplesmente, de coisa nenhuma? O estigma da página em branco é, mais do que um desafio, por vezes, uma angústia, ou então, o desaguar dum ...

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O DEZEMBRO DO NOSSO FINGIMENTO

Dezembro é um mês de fim de ciclo, um tempo de balanço e de reflexão por toda a carga mística que envolve. Dezembro é natal e natal é uma coisa que sem me incomodar, me apoquenta e me faz ficar deprimido, nem eu sei bem porquê… A nossa cultura judaico-cristã associada à cultura oficial do Estado Novo incutiu-nos epidermicamente certos valores, dúvidas, incertezas e mesmo crenças não totalmente resolvidas que nos baralham o departamento sentimental do nosso cérebro e mais ainda, daquele beco escuro e dizem que também resplandecente, da nossa alma, esse mistério alado que residirá dentro de nós, ...

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NELSON MANDELA E O DOM DO PERDÃO…

Esta será talvez a crónica mais curta que escreverei aqui nesta minha colaboração semanal. Não porque a pessoa de que quero hoje falar não merecesse um texto à altura da sua enorme dimensão humana, mas porque não conseguiria juntar tantas palavras de verdadeiro conteúdo e significado inatacável num texto que pudesse traduzir a elevação da admiração que tenho por Nelson Mandela. Mandela faz parte da minha própria construção como homem e cidadão. Desde que se tornou uma figura com estatuto reconhecido a nível internacional, mesmo durante os longos anos da sua clausura nas prisões do regime do apartheid, Mandela foi ...

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DIFICULDADE DE ESCOLHA

Acredito piamente que, de entre aqueles que se disponibilizam para ler estes meus escritos, alguns se interroguem se eu não encontro nada de bom para comentar ou se não encontro outros temas mais líricos ou leves para exercitar este meu impulso de verter em prosa aquilo que me vai na alma. A esses poderei responder que nada mais me agradaria, porque gostando de escrever e transmitir o que penso, dedicando grande atenção à condição humana e a tudo o que envolve as vidas e histórias das pessoas, o seu enquadramento na sociedade e as tristezas e alegrias que fazem parte ...

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O CONGRESSO DA URGÊNCIA

Pior, talvez, do que um país amordaçado, será um país engasgado. Um país a quem se lhe atravessou uma espinha acutilante na garganta da sua normal via democrática. Um espinha que faz doer, mas mais que tudo, impede a normal respiração e o fluxo normal de oxigénio aos pulmões da sua autonomia nacional, que o faz convulsar de repetidos atentados à sua Constituição e assim pôr em perigo a sua própria continuidade como a Nação livre, que o povo escolheu depois de quarenta anos de ditadura. Não é um perigo circunstancial, mas antes um perigo intencional e premeditado. Não foi ...

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QUERER É PODER

Porque são as pessoas aquilo que são?… Os anos de vida vão-nos adaptando às diversas circunstâncias com que nos vamos confrontando, mas é no período da nossa formação que se consolida aquilo que vai ser a base da nossa capacidade de nos mantermos íntegros e úteis à sociedade e também de saber reagir a cada situação com os instrumentos que aprendemos a usar quando ainda estávamos no cadinho do nosso desenvolvimento juvenil. A escola onde estudámos, os professores que tivemos e, num âmbito mais lato, os educadores que nos acompanharam, são um conjunto de factores que se constituem essenciais para ...

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TRAIÇÃO À PÁTRIA

O que é a vida? De que serve a vida? Será que existe algum significado na vida quando somos encostados à morte? Quando os anos que ainda nos sobram se podem equacionar pela fórmula morte menos um, morte menos cinco, morte menos dez e por aí fora?… É esta a questão que muitos reformados põem hoje em dia, mas a angústia maior é com uma dúvida que há-de morrer com eles, sem resposta nem discussão, será que vai servir para alguma coisa o sacrifício a que nos obrigam e esta constante pressão até à morte, mais cedo do que tarde?… ...

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SANIDADE PÚBLICA…

Finalmente o tão aguardado Guião para a Reforma do Estado acabou de ser divulgado pelo Vice-Primeiro-ministro irrevogável e todos ficaram a saber quase o mesmo, à parte o facto da reforma figurar apenas no título, e se ter perdido depois, no meio das cento e dez páginas, que Paulo Portas anunciou. Para além disso, o que mais terá no seu conteúdo, são 1001 maneiras de deixar tudo na mesma, porque realmente ninguém neste Governo, e mesmo noutros que possam vir desta mesma fornada dum bloco central e requentado, sabe bem como reformar o Estado. Se calhar, porque reformular é que ...

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ESPAÇO… DE INTERLÚDIO…

Sinto-me cansado dos tempos que se vivem. Sinto-me zangado com a raiva que me assalta. Com o constante apelo ao protesto, à crítica contundente, porque as agressões que sofremos, também são elas contundentes e cruéis, à desconstrução da nossa normalidade e direito à vida e ao confronto inevitável com formas de ocupação do nosso espaço de liberdade, que tanto significado teve na sua construção, dia a dia, nas últimas décadas da nossa vida, que pensámos renovada. Não sinto vontade de levar esta revolta a níveis de insistência que acabem por ofuscar o essencial e o essencial é a grave crise ...

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SEITAS, FANATISMOS E VISIONÁRIOS…

Há quem confunda firmeza e estratégia com fanatismo, seita com governo legítimo e irresponsabilidade com coragem. Pior ainda é confundir as suas próprias insuficiências e malvadez com um país. Misturar tudo isto e proclamar, qual déspota que se julga inquestionável, que o país soçobrará com ele, se as suas crenças dogmáticas e irrealistas o derrubarem. E ainda por cima lançar as culpas para cima daqueles que esmaga com uma austeridade inimaginável. Se eu falhar, é o país todo que falha, é uma declaração doentia e de uma gravidade sem limite. Depois de toda a efervescência eleitoral e de assentada a ...

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O OÁSIS DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

De que falar quando não se quer falar daquilo que toda a gente fala? Daquilo que toda a gente pensa? Daquilo que toda a gente sente? Um exercício quase absurdo seria imaginarmos a existência de pessoas sem a capacidade de pensar. Ou antes ainda, sem a vontade ou a intuição de pensar. O instinto do pensamento será em si uma razão justificativa do factor racional das pessoas!?… Ou será antes uma faculdade que é mais ou menos induzida por outras instâncias da vontade e da necessidade que certas pessoas desenvolvem, como resposta às suas dúvidas e a uma insustentável aversão ...

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NÃO NOS ILUDAMOS…

E se um país insano e masoquista (desculpe Sr. Presidente, mas eu comecei a escrever isto antes do senhor chamar masoquistas aos Portugueses…) entregasse a maioria dos votos nas autárquicas ao PSD?… Isso seria o quê, uma vitória nacional ou local, repartida aos bocadinhos pelas inúmeras Juntas de Freguesia?… Estou já a imaginar o nosso primeiro, numa daquelas intervenções com ar de professor primário, entre o paciente e o zangado com a falta de conhecimento dos jovens alunos, a elucidar os incultos deste país, que as autárquicas são um fenómeno local e não representam um reconhecimento à magna obra que ...

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SENTIR AINDA A VIDA …

Sentir a vida todos os dias. Acordar e tentar acreditar que a vida não vai, mais uma vez, piorar. Abrir os olhos e ver que a vida ainda continua e que depois da noite não se sucedeu a escuridão que todos receiam tomar conta de tudo. Viver a vida, um dia de cada vez e não nos atrevermos a desenhar o futuro. Apenas o dia seguinte. A notícia seguinte. A calamidade seguinte. Sentir a vida todos os dias e, apesar de tudo, ter medo do amanhã. Vivemos a vida que nos deixam viver, não aquela que sonhamos. A esperança é ...

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A REINVENÇÃO DAS PALAVRAS…

Quem teme pelas palavras que diz, tenta dissimulá-las para esconder o seu verdadeiro significado. Quem, mesmo acreditando naquilo que pensa e sabe do impacto dos seus pensamentos, reinventa o léxico da sua maldade. Quem, apesar da maldade do seu carácter, não consegue purificar a sua consciência, não hesita em ludibriar aqueles que de si dependem. Este é o retrato de família do actual governo, se bem que alguns, muito poucos, se tentem ocultar atrás da corpulência arrogante dos que se afoitam a olhar de frente para a populaça. É absolutamente caricato o esforço que fazem para mascarar as palavras de ...

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A CENTRIFUGADORA DO PODER…

Isto de encontrar temas para cada novo artigo, não é tarefa fácil. Começo a estar dividido entre o achar que são demasiados os temas ou que, noutra perspectiva, o tema genérico se repete e nos cansa. No fundo, as perspectivas são tão más, a insegurança tão deprimente, a revolta tão incontida e o cansaço tão desgastante, que todos nós sentimos que estamos metidos numa centrifugadora de ideias e de projectos políticos, em que alguém se esqueceu de adicionar o detergente e, mais ainda, o amaciador conveniente e assim de cada vez que a máquina chega ao fim do ciclo, a ...

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QUESTÕES DE BOM SENSO…

Falar de bom senso implica isso mesmo, bom senso! Esta matéria, publicamente abordada pelo Primeiro Ministro, na sua versão de líder partidário, no último fim de semana, no encerramento da chamada Universidade de Verão do PSD, teve tudo menos isso, o tal bom senso. Já aqui abordei esta problemática de se ter duas cabeças no mesmo corpo, uma de líder partidário e outra de Chefe do Governo. Esta condição de bicéfalo, mormente em lugares de grande responsabilidade, obriga a que haja um grande equilíbrio e prudência naquilo que se diz enquanto se pensa acaloradamente, apenas com uma das cabeças, porque ...

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TRÊS APONTAMENTOS DE FIM DE VERÃO…

1 – Mais uma guerra anunciada Confesso que não sou, de modo nenhum, um especialista de política internacional, mas tão só um observador atento e um cidadão preocupado com tudo o que se passa à nossa volta e que, de uma ou outra maneira, interfere nas condições de vida das pessoas, em geral. Um cidadão sensível à cada vez mais ameaçada paz mundial e às injustiças que se vão instituindo em padrões de vida, no meio de todos os jogos de interesses, financeiros, políticos ou económicos, suportados pelas grandes potências que impunemente se arvoram em polícias a nível global e ...

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RISCOS E DESASTRES…

O ritmo da política ou é lento ou frenético, raramente cadenciado. Os políticos, nomeadamente quando têm o poder e se deixam contagiar por uma necessidade obsessiva de o manter a todo o custo, têm a tendência, por um lado, a criar uma lenta progressão dos acontecimentos, senão mesmo a travá-los para os fazer coincidir com os seus calendários de interesses, ou por outro, a precipitá-los de tal modo que não dão espaço e tempo a que os cidadãos se retenham e analisem as suas intenções e decisões. É uma técnica apurada de confundir, mesmo os mais atentos, e evitar que ...

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ESCREVER SOBRE NADA …

Hoje só me apetece escrever sobre nada. O peso dos dias carregados de incertezas, de mentiras e de despudores disfarçados de política, exercem um incómodo considerável sobre o meu direito a uma sanidade mental e espiritual a que não renuncio. Antes, exijo e promovo, acima de todas as mesquinhices que diariamente nos invadem e atormentam. A demência, a cegueira e a intransigência doentia de uma certa classe de políticos portugueses, na insistência de não se esforçarem por encontrar alternativas consensuais para os problemas do país e a sua vergonhosa e castrante dependência de interesses da alta finança, tanto nacional como ...

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ENTRE A DISPLICÊNCIA E A RAIVA INCONTIDA…

Nada melhor do que sair por uns tempos do epicentro desta baixa depressão política que se vive em Portugal. Foi o que eu fiz e rumei à Suíça, só para ter oportunidade de ter a sensação do que é estar num país que parece não ter política, embora tenha. Não é minha intenção dissertar aqui sobre o sistema suíço de organização duma sociedade dividida em quatro províncias e vinte e seis cantões, que tem quatro línguas, territórios e identidades distintas, a alemã, a francesa, a italiana e a romanche, constituindo-se numa federação que é conhecida internacionalmente pela sua neutralidade e ...

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