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Com efeito, os vírus das hepatites A, B, C, D e E provocam estas infecções.
Algumas destas infecções são agudas e autolimitadas. Outras, porém, podem tornar-se crónicas e evoluir silenciosamente durante vários anos.
Sem diagnóstico e acompanhamento, podem provocar cirrose hepática, insuficiência hepática e cancro do fígado.
Hepatites virais podem evoluir sem sintomas
Uma das principais dificuldades no combate às hepatites virais está no desconhecimento da infecção por parte de muitos doentes.
Em particular, as hepatites B e C podem não apresentar sintomas durante períodos prolongados. Assim, a doença pode progredir sem ser detectada.
Quando surgem sinais, os danos no fígado podem já ser significativos.
Entre os sintomas mais comuns encontram-se a fadiga persistente, a perda de apetite, as náuseas e a dor abdominal.
Além disso, podem surgir icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos, e urina escura.
Por esta razão, o diagnóstico precoce é essencial para reduzir a morbilidade e a mortalidade associadas a estas doenças.
Prevenção das hepatites virais começa nos comportamentos
A prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz para reduzir o impacto das hepatites virais.
No caso das hepatites A e E, as boas práticas de higiene assumem especial importância.
O acesso a água potável e o correcto manuseamento dos alimentos contribuem igualmente para evitar a transmissão.
Por sua vez, a hepatite B pode ser transmitida através do contacto com sangue ou fluidos corporais infectados.
No entanto, esta infecção pode ser prevenida de forma eficaz através da vacinação.
A vacina contra a hepatite B integra o Programa Nacional de Vacinação. Trata-se de uma das principais ferramentas de protecção da saúde individual e colectiva.
Para além da vacinação, importa adoptar comportamentos seguros.
A utilização de material esterilizado em procedimentos médicos e estéticos reduz o risco de transmissão.
Além disso, deve evitar partilhar objectos cortantes, como lâminas, nem escovas de dentes.
A utilização de preservativo representa outra medida relevante na prevenção de diferentes tipos de hepatite viral.
Rastreio permite identificar infecções silenciosas
O diagnóstico precoce depende da realização de testes de rastreio e do conhecimento dos principais factores de risco.
Alguns grupos devem manter uma atenção acrescida e procurar aconselhamento médico.
Entre eles estão as pessoas que receberam transfusões sanguíneas antes da aplicação dos actuais métodos de rastreio.
No caso da hepatite C, esse marco ocorreu em 1992.
Os utilizadores de drogas injectáveis, os profissionais de saúde e as pessoas com múltiplos parceiros sexuais apresentam igualmente maior risco.
Além disso, indivíduos provenientes de regiões com elevada prevalência de hepatites devem considerar a realização de testes.
Actualmente, existem testes simples, rápidos e fiáveis que permitem identificar a infecção.
Após o diagnóstico, os doentes podem ser encaminhados para acompanhamento médico adequado.
Informação e acesso aos cuidados são essenciais
No Dia Mundial das Hepatites, importa reforçar que estas doenças podem ser prevenidas, diagnosticadas e, em muitos casos, tratadas com sucesso.
A informação correcta permite reconhecer comportamentos de risco e procurar ajuda atempadamente.
Por outro lado, a literacia em saúde contribui para diminuir o estigma e melhorar a adesão ao rastreio e ao tratamento.
O acesso aos cuidados de saúde continua igualmente a ser determinante.
Prevenção, diagnóstico e tratamento são pilares essenciais para eliminar as hepatites virais enquanto ameaça à saúde pública.
*Artigo de opinião de Filipe Calinas, médico gastrenterologista no Centro de Responsabilidade Integrado de Gastrenterologia da ULS São José e presidente do Conselho Fiscal da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado.






