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A doença celíaca é uma doença crónica de base imune que pode provocar alterações hepáticas, mesmo quando não existem sintomas digestivos evidentes. O alerta é deixado por Rita Barosa, membro da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado.
A especialista sublinha que esta doença resulta de uma reação do sistema imunitário ao glúten, conduzindo sobretudo à lesão do intestino delgado. No entanto, além das manifestações gastrointestinais, pode também ter impacto significativo na saúde hepática.
Doença celíaca pode ser silenciosa
A doença celíaca pode apresentar-se de várias formas. Em alguns casos, os doentes não têm sintomas. Noutros, surgem sinais como diarreia, distensão abdominal, perda de peso, alterações cutâneas, anemia ou alterações hepáticas.
Além disso, as alterações no fígado podem mesmo ser a única manifestação da doença.
Segundo Rita Barosa, é importante distinguir esta entidade da alergia ao glúten e da chamada “intolerância” ao glúten, uma vez que o diagnóstico e acompanhamento são diferentes.
O diagnóstico implica exames laboratoriais específicos e, na idade adulta, frequentemente uma endoscopia digestiva alta para confirmação clínica.
Alterações hepáticas associadas à doença celíaca
A médica explica que pessoas com doença celíaca apresentam maior risco de desenvolver outras doenças hepáticas autoimunes.
Por outro lado, existe também um risco acrescido de doença hepática metabólica. Esta situação pode ser favorecida pela inflamação intestinal persistente, má absorção de nutrientes e ativação imunitária crónica.
Assim, estes mecanismos podem contribuir para a acumulação de gordura no fígado e para processos inflamatórios hepáticos.
A ligação entre doença celíaca e fígado continua, por isso, a merecer maior atenção clínica e diagnóstico precoce.
Dieta sem glúten é essencial no tratamento
O tratamento da doença celíaca não complicada consiste numa dieta rigorosamente isenta de glúten.
Segundo a especialista, esta medida permite, na maioria dos casos, a remissão da doença e das alterações hepáticas associadas.
Além disso, a dieta sem glúten é considerada fundamental para prevenir complicações futuras e melhorar a qualidade de vida dos doentes.
A informação sobre a doença celíaca pode ser consultada através da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado.
Hábitos saudáveis ajudam a proteger o fígado
Rita Barosa defende ainda a importância de manter hábitos de vida saudáveis.
Entre as principais recomendações estão evitar o consumo de álcool, praticar atividade física regular e assegurar um bom controlo metabólico.
Por fim, a gastrenterologista destaca que o acompanhamento médico contínuo e os exames de rotina são essenciais para prevenir e detetar precocemente possíveis complicações hepáticas associadas à doença celíaca.
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