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Uma investigação liderada pela Universidade de Coimbra identificou 73 genes e novos mecanismos metabólicos que explicam a elevada virulência da bactéria multirresistente Staphylococcus aureus. Num estudo recente, a universidade de coimbra identifica novos fatores de virulência staphylococcus aureus com descobertas inovadoras nesta área.
Uma equipa de cientistas liderada pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC), integrado no Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia (CiBB), identificou um novo conjunto de fatores. Estes fatores contribuem para a elevada virulência da bactéria multirresistente Staphylococcus aureus.
O estudo, publicado na Nature Communications, abre caminho ao desenvolvimento de terapias inovadoras. Estas terapias são direcionadas para a eliminação desta população bacteriana, associada a infeções crónicas e recorrentes.
Sobrevivência intracelular e evasão ao sistema imunitário
A investigação demonstra como a bactéria consegue esconder-se, sobreviver e multiplicar-se dentro de fagócitos não profissionais. Estas são células humanas cuja função principal não é a defesa imunitária. Nessas células, alguns antibióticos revelam menor eficácia.
O Staphylococcus aureus constitui uma das principais causas de infeção hospitalar e comunitária. As estirpes resistentes à meticilina, conhecidas como MRSA, representam a segunda causa mais comum de morte associada à resistência bacteriana a antibióticos. Globalmente, esta bactéria é responsável por mais de um milhão de mortes por ano.
Segundo Ana Eulálio, investigadora do CNC-UC e líder do estudo, compreender os mecanismos de infeção e adaptação intracelular permitiu identificar como o microrganismo escapa ao sistema imunitário. Além disso, explicou como resiste aos antibióticos.
Identificação de 73 genes determinantes
Recorrendo a ensaios de infeção com microscopia de fluorescência automatizada de larga escala, os cientistas analisaram 1 920 mutantes bacterianos. A equipa identificou 73 genes que influenciam a capacidade de invasão, persistência e multiplicação da bactéria no interior de células humanas. Estes genes podem ainda conduzir à morte celular.
Destaca-se igualmente a descoberta de uma nova função da enzima nicotinamidase (PncA). Esta enzima regula o sistema agr (Accessory Gene Regulator), responsável pela expressão de múltiplos fatores de virulência. O estudo demonstrou que a PncA controla a atividade do sistema agr através da regulação do metabolismo bacteriano.
Novos alvos terapêuticos em investigação
A caracterização do papel da proteína PncA abre novas perspetivas sobre a relação entre metabolismo bacteriano e infeção. Além disso, oferece pontos de partida para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos.
Nos últimos anos, acumulou-se evidência de que o Staphylococcus aureus não atua apenas como patógeno extracelular. Pelo contrário, consegue estabelecer-se no interior de células humanas, favorecendo infeções persistentes.
A investigação do grupo RNA & Infeção do CNC-UC, liderado por Ana Eulálio, foi recentemente financiada pelo concurso de Investigação em Saúde 2025 da Fundação “la Caixa”. O apoio foi de cerca de meio milhão de euros.
O estudo resulta de uma colaboração entre o CNC-UC, o Centro Nacional de Biotecnologia – Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha. Também conta com o Imperial College London.
nn
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