Home » Arte » Exposição “Mónada” na Fundação Côa Parque: uma reflexão sobre a arte e o papel do artista

Exposição “Mónada” na Fundação Côa Parque: uma reflexão sobre a arte e o papel do artista

Tempo de leitura estimado: 4 minutos

João David Araújo Zilhão apresenta “Do rio até ao mar”, uma exposição que questiona o mercado da arte e o sentido da criação

A Fundação Côa Parque acolhe a exposição “Mónada | Do rio até ao mar”, de João David Araújo Zilhão, uma proposta que ultrapassa a dimensão estética e se transforma num manifesto sobre a condição do artista contemporâneo.
Inspirada nas palavras de Wassily Kandinsky, em Do espiritual na arte, a mostra reflete sobre o valor, a liberdade e a autenticidade na criação artística, num mundo onde o mercado tende a dominar a sensibilidade e o pensamento.


Uma exposição que interroga a essência da arte

Para o autor, ser artista é um acto de resistência — uma forma de manter viva a imaginação, a introspeção e a ligação espiritual ao mundo.
Em “Mónada”, Zilhão propõe uma viagem simbólica, onde cada desenho é entendido como uma “partícula elementar”, portadora de uma energia primitiva e humana, herdeira das primeiras manifestações rupestres do Côa.

“Ser artista é ter uma atitude poética perante a vida, dar mais do que se recebe, transmitir luz num mundo onde tudo é consumo. Mas a arte verdadeira resiste, transforma e humaniza”, escreve o autor.

A exposição assume-se, assim, como uma reflexão profunda sobre a arte e o seu valor espiritual, contrapondo-se à lógica comercial que, segundo o artista, reduz a criação à cotação e à rentabilidade.


Crítica ao sistema e à mercantilização da cultura

João David Araújo Zilhão critica abertamente o sistema que privatiza a cultura, concentrando o poder de decisão nas mãos de galeristas, curadores e instituições que condicionam o olhar do público e o destino dos artistas.

“O mundo da arte tornou-se uma bolsa de valores. Os artistas vivos passam fome, os mortos enriquecem o mercado. A arte verdadeira não pode ser refém do lucro”, afirma.

Em “Mónada”, o artista denuncia também a superficialidade e o imediatismo do consumo visual contemporâneo, apontando a necessidade de retomar a ligação entre a arte e o humano, entre o gesto criador e a contemplação.


Do Côa ao mundo: o rio como metáfora da criação

O título da exposição — Do rio até ao mar — representa a continuidade da arte como corrente vital, que nasce no traço rupestre das rochas do Côa e segue até à modernidade.
Segundo o artista, “a imaginação é a matemática do espírito”, e cada obra é um gesto de permanência e resistência contra a indiferença e o vazio espiritual do tempo presente.

A mostra propõe ao visitante uma leitura livre, intuitiva e sensorial, onde o olhar é convidado a abandonar o racionalismo académico e a reconectar-se com a emoção, o mistério e a pureza do ato criativo.


Um apelo à liberdade e à autenticidade

No texto que acompanha a exposição, João David Araújo Zilhão declara o seu desencanto com o mundo artístico atual, mas também reafirma a esperança no poder transformador da arte.
Defende que o verdadeiro artista é aquele que continua a criar, mesmo sem reconhecimento, guiado pela necessidade interior de expressar o que o transcende.

“A arte é o artista, e o artista é a sua arte. Esta simbiose assusta porque obriga a pensar, a sentir e a mudar. Mas sem arte o mundo torna-se estéril e incomunicável.”


Serviço

Exposição: Mónada | Do rio até ao mar
Autor: João David Araújo Zilhão
Local: Fundação Côa Parque – Vila Nova de Foz Côa
Organização: Fundação Côa Parque
Data: [Inserir data oficial de inauguração e término, se disponível]


Fonte: Fundação Côa Parque / João David Araújo Zilhão
Publicado pelo iPressJournal.pt

nn

Veja também: Testado o Jogo para estimulação cognitiva de idosos

Partilhar em:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.Os campos obrigatórios estão marcados *

*

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.