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As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), como a doença de Crohn e a colite ulcerosa, continuam a ser pouco reconhecidas pela população portuguesa. Contudo, essas doenças têm um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes.
Segundo Ana Patrícia Andrade, vogal do Grupo de Estudos Português do Intestino Delgado, o diagnóstico precoce, a literacia em saúde e uma abordagem multidisciplinar são fundamentais. Assim, eles melhoram o prognóstico destas patologias.
Doenças inflamatórias intestinais afetam milhares em Portugal
As DII são doenças inflamatórias crónicas, imunomediadas e potencialmente incapacitantes que afetam o trato gastrointestinal.
Em Portugal, estima-se que estas doenças afetem cerca de 24 a 25 mil pessoas, refletindo um aumento progressivo da prevalência nas últimas décadas.
Os sintomas mais frequentes incluem diarreia crónica, dor abdominal, fadiga, perda de peso, urgência defecatória e presença de sangue nas fezes.
Além disso, podem surgir manifestações extraintestinais, nomeadamente articulares, cutâneas ou oculares, que por vezes antecedem os sintomas digestivos.
Diagnóstico precoce é decisivo no controlo da doença
As DII podem surgir em qualquer idade, embora sejam mais frequentemente diagnosticadas em adolescentes e adultos jovens.
Por outro lado, o impacto da doença vai além dos sintomas físicos, afetando frequentemente a vida pessoal, académica e profissional dos doentes.
O absentismo escolar ou laboral, o receio de novas crises e a necessidade de acompanhamento contínuo contribuem para uma carga emocional significativa.
Assim, Ana Patrícia Andrade defende que o reconhecimento precoce dos sintomas e a referenciação atempada são essenciais. Com isso, é possível melhorar o controlo da inflamação e prevenir complicações futuras.
Tratamentos mais avançados permitem maior controlo
Atualmente, existem opções terapêuticas mais diferenciadas para o tratamento das doenças inflamatórias intestinais.
Entre elas destacam-se as terapêuticas biológicas e as pequenas moléculas, que permitem um controlo mais eficaz da inflamação intestinal.
O objetivo do tratamento passa não apenas pelo alívio dos sintomas, mas também pela indução e manutenção da remissão da doença. Ademais, inclui a redução de hospitalizações e a prevenção de cirurgia.
Além disso, a especialista sublinha que o sucesso terapêutico depende igualmente de um acompanhamento estruturado e contínuo.
Abordagem multidisciplinar melhora qualidade de vida
A abordagem multidisciplinar é considerada essencial no acompanhamento das DII.
O seguimento deve envolver gastrenterologistas diferenciados nesta área, bem como equipas de enfermagem especializada, nutrição, psicologia, farmácia hospitalar e cirurgia, sempre que necessário.
Segundo Ana Patrícia Andrade, apenas uma resposta integrada permite abordar de forma adequada as necessidades clínicas, emocionais e sociais das pessoas com estas doenças.
Por fim, a médica considera prioritário combater o estigma associado às DII. Além disso, é importante reforçar a literacia em saúde para favorecer o diagnóstico precoce e a intervenção atempada.
Mais informações disponíveis em Saúde Digestiva.





