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Rendas até 2.300 euros concentram 88% da oferta anunciada

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Cerca de 88 por cento dos anúncios de arrendamento em Portugal apresentam rendas até 2.300 euros, o tecto fixado pelo Governo para o regime das rendas moderadas. O dado consta de uma análise do portal Imovirtual, divulgada a 1 de Outubro.

O peso manteve-se praticamente inalterado face ao mesmo período de 2025. Mudou, porém, o que está dentro desse patamar. Os imóveis anunciados até 2.300 euros são hoje, em média, 12 por cento mais pequenos, e os T1 ganharam 4,5 pontos percentuais de peso. Os T3 e T4 perderam expressão.

Em volume, o número médio diário de anúncios com rendas até 2.300 euros subiu de 30.285 em 2025 para 34.270 em 2026, um aumento de cerca de 13 por cento.

De onde vêm os 2.300 euros

O valor não é uma referência de mercado. Resulta do pacote fiscal da habitação aprovado na Assembleia da República a 9 de Janeiro de 2026.

A medida reduz de 25 para 10 por cento a taxa de IRS sobre rendimentos prediais dos contratos com rendas até 2.300 euros, novos ou já existentes. O IVA na construção desce para 6 por cento nos imóveis destinados a arrendamento dentro desse limite. O regime vigora até 2029.

Votaram a favor o PSD, o CDS e a Iniciativa Liberal. Votaram contra o PS, o PCP, o Bloco de Esquerda e o Livre. O Chega, o PAN e o JPP abstiveram-se.

Do lado dos inquilinos, a dedução máxima de rendas em sede de IRS subiu para 900 euros em 2026 e passa a 1.000 euros em 2027, face aos 700 euros anteriores.

Três em cada quatro anúncios acima dos 2.000 euros estão em Lisboa

A análise do Imovirtual detém-se depois na faixa imediatamente abaixo do tecto, entre 2.000 e 2.300 euros mensais. Nas cidades com comparação homóloga disponível, os anúncios nesse intervalo passaram de 851 para 1.143, um crescimento de cerca de 34 por cento.

A concentração é esmagadora. Lisboa reúne cerca de 76 por cento do total, com um crescimento de aproximadamente 43 por cento. O Porto surge em segundo lugar, com um aumento de 14 por cento, mas a grande distância.

Funchal, Braga, Aveiro e Coimbra registaram aumentos de oferta nesta faixa. Faro, Setúbal, Viana do Castelo e Leiria registaram reduções.

Quanto a preços médios dentro do intervalo, Lisboa passou de 2.143 para 2.161 euros, uma subida de 0,8 por cento. O Porto subiu 3,1 por cento, de 2.093 para 2.158 euros. Seguem-se o Funchal, com 3,9 por cento, Braga, com 2,9, e Coimbra, com 1,4. Em sentido inverso desceram Leiria, 4 por cento, Viana do Castelo, 3,8, e Faro, 3,1.

“Três em cada quatro anúncios analisados estão em Lisboa, enquanto em várias cidades a presença deste patamar de renda é residual”, afirma Sylvia Bozzo, responsável de marketing do Imovirtual. “Isto mostra que um limite nacional não corresponde necessariamente à mesma realidade habitacional em todo o território.”

O que 2.300 euros valem face ao mercado real

Os dados oficiais ajudam a dimensionar o tecto. O Instituto Nacional de Estatística divulgou a 29 de Setembro que a renda mediana dos novos contratos de arrendamento se fixou em 10,17 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026, uma subida homóloga de 10,2 por cento. Foram celebrados 35.407 novos contratos.

No município de Lisboa, a renda mediana chegou a 17,79 euros por metro quadrado. Na Grande Lisboa situou-se em 15,24 euros, na Madeira em 12,78, na Península de Setúbal em 11,99, no Algarve em 11,56 e na Área Metropolitana do Porto em 10,83.

A essa mediana lisboeta, 2.300 euros correspondem a um apartamento de cerca de 129 metros quadrados. Aplicando a mediana nacional, o mesmo valor paga cerca de 226 metros quadrados. O tecto das rendas moderadas situa-se, portanto, muito acima do que custa uma habitação de dimensão corrente.

Uma leitura de anúncios, não de contratos

Importa distinguir a natureza dos dois conjuntos de dados. O INE mede contratos efectivamente celebrados. O Imovirtual mede anúncios colocados num portal.

Um anúncio não é um contrato. O mesmo imóvel pode ser anunciado várias vezes e pode nunca chegar a ser arrendado pelo valor pedido. A análise do portal também não indica o universo total de anúncios considerado, nem quais as cidades incluídas na comparação homóloga.

“Mais do que perceber quantos imóveis estão abaixo de determinado valor, importa perceber que tipo de habitação esse orçamento permite efectivamente encontrar”, afirma Sylvia Bozzo.

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