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Um novo estudo da LLYC confirma que a migração é percebida como um dos principais motores de crescimento económico, inovação e transformação social. A edição “The Next Mindset: Mobilidade Humana”, desenvolvida no âmbito da iniciativa Partners for What’s Next, mostra que 71,7% das avaliações sobre Portugal classificam o impacto da migração como positivo. A intensidade média atribuída é 7,0 numa escala de 10, posicionando o país entre os mais favoráveis à mobilidade humana na Europa.
IA analisa impacto económico da migração em 12 países
O relatório utiliza o Radar IA, uma metodologia própria baseada em Deep Learning e métricas de consenso inter-modelos. Esta abordagem analisou 1440 respostas geradas por quatro modelos avançados de inteligência artificial. A ferramenta avaliou narrativas, intensidade de opinião, polaridade das respostas e sectores onde a migração é considerada mais transformadora.
Os resultados confirmam uma tendência global de impacto económico positivo, observada em três exemplos claros:
• Espanha: 80% do crescimento económico nos últimos quinze anos está associado à imigração.
• Estados Unidos: 46% das empresas da Fortune 500 foram fundadas por migrantes ou pelos seus descendentes.
• Peru: cada sol investido em assistência a migrantes gera retorno fiscal de 2,6 soles.
Portugal destaca-se na atração de talento e modernização económica
Em Portugal, os sectores considerados mais beneficiados incluem tecnologia, agricultura, turismo, hotelaria, logística e transportes urbanos. A mobilidade humana surge como elemento decisivo para modernizar estruturas económicas, renovar a demografia ativa e atrair talento com competências tecnológicas.
Tecnologia e Inovação: o sector mais beneficiado
Cerca de 20% da força de trabalho tecnológica portuguesa é composta por profissionais migrantes. Funções fundamentais em áreas como inteligência artificial, software e blockchain dependem, em grande medida, deste talento internacional. Empresas como Unbabel, Farfetch e Talkdesk surgem como casos associados à diversidade e competitividade global.
Turismo e hotelaria: contributo essencial na recuperação pós-pandemia
O relatório evidencia que a mão de obra migrante foi determinante para estabilizar o sector após a pandemia. O turismo VFR (Visiting Friends and Relatives), impulsionado por comunidades migrantes residentes, é destacado como fenómeno crescente. Exemplos como a Cervejaria Ramiro e unidades do Algarve e Lisboa ilustram o contributo destas dinâmicas.
Agricultura e logística: sectores estruturalmente dependentes de migrantes
A agricultura depende de trabalhadores migrantes para colheitas de fruta, olival, melão e horticultura. A migração é também apontada como relevante para modernização de técnicas e processos de produção. No transporte urbano e logística, os modelos evidenciam um dos consensos mais elevados entre os países estudados. A economia de última milha, o delivery e infraestruturas, como a expansão do Metro de Lisboa, dependem fortemente de mão de obra migrante.
Desafios persistem em educação, saúde e administração pública
Apesar dos impactos positivos, o estudo identifica tensões em áreas como educação, saúde e administração pública. Os modelos analisados referem pressões resultantes do volume de pedidos associados à transição do SEF para a AIMA e dificuldades no reconhecimento de qualificações académicas e profissionais.
Declaração da LLYC
Para Marlene Gaspar, Diretora-Geral da LLYC em Portugal, “Cada fluxo migratório redefine geografias, amplia oportunidades e transforma economias. A vantagem competitiva depende da capacidade de interpretar estes movimentos e decidir de forma informada. O movimento molda a economia, a sociedade e os mercados
