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O músico luso-brasileiro Davi Santiago apresenta “olha o brilho”, primeiro single de antecipação do EP fui só amor, com edição marcada para 10 de abril. O tema confirma uma identidade artística marcada pela intimidade, pela poesia e por uma ponte sensível entre as sonoridades do Brasil e de Portugal.
Natural do Rio de Janeiro e com 21 anos, Davi Santiago traz consigo um percurso pessoal singular. Nascido com uma condição que impedia a projeção da voz, foi submetido a uma cirurgia corretiva que acabou por conferir à sua voz uma textura rouca e reconhecível, hoje um dos seus traços mais distintivos.
A carreira iniciou-se em 2024, após a participação num concurso de canções, quando um dos membros do júri lhe disponibilizou um estúdio para gravar o primeiro single, “pra se dar”. Esse momento revelou-se determinante para o desenvolvimento do seu primeiro trabalho discográfico.
Com financiamento da Câmara Municipal de Viseu, fui só amor reúne sete faixas, entre seis canções e um poema, construindo uma narrativa intimista sobre o amor, a morte e o autoconhecimento. O EP explora a relação entre Brasil e Portugal de forma pessoal, com letras de forte carácter poético e introspetivo.
Produzido por Rúben Teixeira e Guilherme Marta, o disco convoca influências que atravessam a música latino-americana, com referências como Djavan, Paulinho Pedra Azul ou Tata Barahona, e o folk do hemisfério norte, evocando nomes como Hozier, Nick Drake e Nico. O resultado é uma sonoridade intensa, delicada e profundamente emocional.
Ao contrário do lançamento inicial, este novo projeto conta com uma formação alargada de músicos: Gonçalo Froufe na guitarra elétrica, Guilherme Marta na guitarra braguesa, Mariana Lopes na voz, Pedro Novo no baixo e Rúben Teixeira na bateria.
O single “olha o brilho” acompanha as preces que o autor dirige à lua para que o seu amor durma em paz, movendo-se entre o real e o onírico, num registo que evoca o transe do adormecer. A canção desenvolve a ideia da natureza como entidade divina, encerrando com a repetição de uma frase em forma de mantra. O videoclipe, realizado por Rita Cruz, recorre a um fundo negro constante, reforçando simbolicamente as noções de noite, sono, sonho, morte e transcendência.
Segundo Davi Santiago, fui só amor é “uma jornada de descoberta sobre o que é o amor, até ao momento da morte”. Com edição prevista para abril, o EP afirma-se como um passo decisivo na consolidação do seu percurso artístico, dialogando com o cenário da música emergente em Portugal e no Brasil e reforçando a sua presença no universo da world music e da MPB contemporânea.
Publicado pelo iPressJournal.pt
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