Tempo de leitura estimado: 3 minutos
Gravidez saudável: prevenção e controlo da glicémia para proteger mãe e bebé
No Dia Mundial da Diabetes, assinalado a 14 de novembro, importa sensibilizar para a diabetes gestacional, uma condição que pode surgir durante a gravidez e afetar tanto a mãe como o bebé. Com a adoção de hábitos saudáveis e acompanhamento médico adequado, é possível prevenir e controlar esta complicação metabólica.
O que é a diabetes gestacional
A gravidez é um período de intensas transformações hormonais e metabólicas. Para garantir o desenvolvimento do bebé, o corpo da mulher adapta-se, produzindo hormonas que, por vezes, interferem com a ação da insulina — substância responsável por transportar o açúcar para as células.
Quando esta função é comprometida, ocorre hiperglicemia, ou seja, aumento dos níveis de açúcar no sangue. Este quadro define a diabetes gestacional, habitualmente diagnosticada entre a 24.ª e a 28.ª semana de gestação.
Assim, o acompanhamento pré-natal regular é essencial para detetar precocemente alterações na glicémia e evitar complicações.
Riscos para a mãe e para o bebé
Os efeitos da diabetes gestacional vão além da saúde materna. A hiperglicemia durante a gravidez pode causar complicações no parto e nas primeiras horas de vida do recém-nascido.
Entre os riscos mais comuns estão a hipoglicemia neonatal (queda acentuada da glicose após o nascimento) e a macrossomia (bebés com peso acima da média). Além disso, estes bebés apresentam maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 na vida adulta.
Por outro lado, para a mãe, embora a condição seja geralmente temporária, o histórico de diabetes gestacional aumenta significativamente o risco de diabetes tipo 2 no futuro.
Diagnóstico precoce e cuidados essenciais
O diagnóstico é realizado através de análises laboratoriais, nomeadamente a glicémia em jejum e a Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO), normalmente entre a 24.ª e a 28.ª semanas. Este exame mede os níveis de glicose antes e depois da ingestão de uma solução açucarada.
Caso o resultado revele valores alterados, é necessário iniciar acompanhamento médico rigoroso. O tratamento baseia-se em três pilares:
-
Alimentação equilibrada, orientada por um nutricionista;
-
Atividade física regular, adaptada à gravidez;
-
Monitorização frequente da glicémia, para avaliar a eficácia das medidas adotadas.
Se, apesar dos cuidados, a glicémia permanecer elevada, poderá ser necessária terapêutica medicamentosa. O controlo insuficiente pode aumentar o risco de parto prematuro, excesso de líquido amniótico e pré-eclâmpsia.
Prevenção e acompanhamento
Prevenir é sempre a melhor estratégia. Por isso, manter um estilo de vida saudável antes e durante a gravidez reduz significativamente o risco de diabetes gestacional.
Além disso, seguir um plano alimentar equilibrado, controlar o aumento de peso e realizar as consultas de vigilância recomendadas são passos fundamentais. Assim, protege-se a saúde da mãe e garante-se um ambiente seguro para o desenvolvimento do bebé.
Cuidar da saúde materna é cuidar da vida que cresce dentro de si.
Por Mafalda Lopes, Enfermeira — Farmácias Holon
nn
Veja também: Uma boa noite de sono é tão importante para engravidar como comer bem





