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Um estudo liderado por investigadores da Universidade de Coimbra identificou um novo mecanismo de reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita. De facto, esta reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita foi analisada num estudo da Universidade de Coimbra. Assim, a investigação mostra que o cérebro pode processar informação visual no córtex auditivo através de desativação neuronal, e não apenas por ativação, como se pensava até agora.
Como o córtex auditivo responde a estímulos visuais
O trabalho, publicado na revista científica Human Brain Mapping, revela que o córtex auditivo de pessoas surdas desde o nascimento responde a estímulos visuais recorrendo também à redução da atividade neuronal. Além disso, este padrão de desativação pode transportar informação relevante sobre aquilo que a pessoa observa, segundo o estudo sobre reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita realizado pela Universidade de Coimbra.
Por conseguinte, os resultados sugerem que o cérebro utiliza estratégias mais complexas para compensar a ausência de um sentido. Neste caso, o cérebro reutiliza áreas originalmente dedicadas à audição para processar informação visual.
“Sabemos que a organização funcional e a estrutura do cérebro sofrem alterações em pessoas privadas de um sentido”, explica Joana Sayal, investigadora e doutoranda da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e coautora do estudo. Segundo a cientista, estudos anteriores já tinham demonstrado que o cérebro pode recrutar o córtex auditivo de pessoas surdas congénitas para processar estímulos visuais.
Ressonância magnética funcional e modelação pRF
Contudo, a nova investigação procurou compreender de que forma o cérebro organiza essa informação visual. Para isso, os investigadores utilizaram ressonância magnética funcional e compararam a atividade cerebral de adultos surdos desde o nascimento com a de adultos com audição normal perante estímulos visuais.
Numa fase posterior, a equipa aplicou uma técnica avançada de análise chamada modelação de campos recetivos populacionais (pRF). Deste modo, este método permitiu estudar em detalhe as características da representação visual nas áreas cerebrais analisadas.
Desativações neuronais que transportam informação
Os resultados demonstram que, durante a observação de estímulos visuais, o córtex auditivo de pessoas surdas apresenta predominantemente desativações neuronais. Ainda assim, essas respostas transportam informação estruturada sobre os estímulos visuais. Importa destacar que o estudo sobre reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita realizado na Universidade de Coimbra documentou este fenómeno.
Além disso, os investigadores observaram que essas respostas se organizam espacialmente de forma semelhante ao que ocorre no córtex visual. Portanto, este tipo de organização, conhecido como retinotopia, indica que o cérebro reorganiza os seus circuitos de forma altamente estruturada.
“A reorganização sensorial não acontece apenas através de ativações. Também pode ocorrer por mecanismos de supressão ou desativação neuronal, que são igualmente informativos”, explica Zohar Tal, investigadora da FPCEUC e coautora do estudo.
Implicações para os implantes cocleares
Esta descoberta abre novas perspetivas para a compreensão da plasticidade cerebral, um fenómeno que descreve a capacidade do cérebro para adaptar o seu funcionamento quando um sentido está ausente ou comprometido. Além disso, reorganização cerebral em pessoas com surdez congénita estudo universidade de coimbra é tema de interesse crescente para a comunidade científica.
Por isso, os autores consideram que estas novas evidências poderão contribuir para melhorar tecnologias médicas destinadas a restaurar a audição. Nomeadamente, entre essas soluções estão os implantes cocleares, dispositivos eletrónicos que estimulam diretamente o nervo auditivo.
Equipa internacional e financiamento do projeto
A investigação contou também com a participação de Jorge Almeida, docente e investigador da FPCEUC e diretor do Proaction Lab. Igualmente, o estudo envolveu cientistas da China e do Reino Unido.
A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) financiou o projeto, em conjunto com o Conselho Europeu de Investigação, através do projeto ContentMap, e com o programa europeu ERA Chair Actions, no âmbito do projeto CogBooster.
Por fim, o artigo científico, intitulado “The neural organization of visual information in the auditory cortex of the congenitally deaf”, encontra-se disponível em https://doi.org/10.1002/hbm.70444.
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