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Duas décadas de prática multidisciplinar sustentam uma fase de consolidação estratégica e de reflexão crítica sobre o setor da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC), num percurso marcado pela integração entre projeto, território e responsabilidade profissional. Neste contexto, o segmento urbano 20 anos arquitetura engenharia construção torna-se um marco importante para o desenvolvimento do setor.
Fundado em 2006, o Segmento Urbano construiu um trajeto assente na articulação entre arquitetura, urbanismo, engenharia, construção e investigação aplicada. Ao longo de 20 anos, atravessou diferentes ciclos económicos e operacionais, desenvolvendo uma prática progressivamente mais consciente, seletiva e orientada para a criação de valor real para clientes, territórios e pessoas.
Em 2025, o volume de negócios situou-se na ordem dos 1,5 milhões de euros, mantendo-se globalmente estável face a 2024, num contexto de reorganização e reposicionamento estratégico centrado na qualidade, na margem e no impacto. Para 2026, a empresa antecipa um crescimento moderado e sustentado entre 10% e 20%, assente num modelo mais seletivo e numa intervenção reforçada nas fases iniciais de decisão.
novas ferramentas para decidir melhor
Este novo ciclo apoia-se no desenvolvimento do Land Staging, enquanto ferramenta de apoio à decisão e redução de risco antes da construção, e na expansão do Build Lab, concebido como plataforma de conhecimento, formação e qualificação técnica. Esta abordagem promove uma ligação mais consciente entre projeto, obra e ferramentas contemporâneas, como o BIM (Building Information Modeling).
Ambas as iniciativas resultam da experiência acumulada ao longo de duas décadas e respondem a desafios estruturais identificados no setor da AEC, nomeadamente a necessidade de decisões mais informadas nas fases iniciais e de maior integração entre disciplinas.
um livro como síntese crítica de duas décadas
No âmbito da celebração dos 20 anos, o Segmento Urbano encontra-se a desenvolver um livro de caráter reflexivo, com lançamento previsto para o outono de 2026. A publicação propõe uma leitura crítica sobre a prática da arquitetura e da construção em Portugal, reunindo aprendizagens, metodologias, dilemas e decisões que marcaram o percurso do atelier.
Mais do que um registo cronológico de projetos, o livro pretende contribuir para a reflexão sobre temas centrais do setor, como a tomada de decisão nas fases iniciais, a ética profissional, a formação, a relação entre projeto e execução e o impacto das escolhas no território e nas pessoas.
Maria João Correia, fundadora do Segmento Urbano, sublinha que muitas das perdas de valor na construção ocorrem logo no início do processo, e não nas fases finais, explicando que a publicação nasce da vontade de partilhar essas aprendizagens e de contribuir para uma prática mais consciente e responsável.
maturidade estratégica e visão de futuro
Ao longo de duas décadas, o Segmento Urbano consolidou metodologias próprias baseadas na antecipação de risco, na integração disciplinar e na tomada de decisões informadas. Atualmente, a empresa opera com uma estrutura multidisciplinar ajustada ao seu modelo de atuação.
Para os próximos anos, o foco estratégico passa pelo reforço da intervenção nas fases de conceção, viabilidade, consultoria estratégica e formação, privilegiando projetos de elevado valor territorial e impacto duradouro. O crescimento financeiro permanece subordinado a critérios de sustentabilidade, coerência e alinhamento ético.
Segundo Maria João Correia, mais do que crescer rapidamente, o objetivo é decidir melhor, assumindo responsabilidade pelas consequências espaciais, económicas e humanas de cada projeto.
projetos emblemáticos
Entre os projetos que marcaram os 20 anos de atividade destacam-se:
Condomínio Palmeiras | Luanda (2008–2010)
Conjunto residencial concebido para maximizar conforto climático e densidade equilibrada, integrando quatro tipologias habitacionais distintas.
Masterplan Kicuxi | Luanda (2013–2015)
Plano urbano de grande escala estruturado a partir de um conceito orgânico inspirado em metaballs, integrando habitação, lazer e zonas verdes num sistema contínuo.
Metamorfoses | Luanda (2016–2018)
Edifício de uso misto concebido como ícone identitário e instrumento de regeneração urbana, com elevação do solo habitável para criação de parque urbano. Finalista do World Architecture Festival 2018.
The Can – Conservas Portugal Norte | Matosinhos (2019)
Reabilitação criativa de uma antiga área industrial num espaço híbrido de restauração e loja, fundindo arquitetura, processo produtivo e experiência do utilizador. Finalista do World Architecture Festival 2019.
Echoes of the Void | Furnas (2025 – conceito)
Projeto conceptual internacional concebido como espaço de acolhimento e contemplação, traduzindo as cinco fases do luto através da luz, do vazio e da paisagem natural.
prémios e distinções
Ao longo dos últimos 20 anos, o Segmento Urbano recebeu diversos prémios e distinções nacionais e internacionais. Na edição de 2025 do World Architecture Festival, realizada em Miami, o atelier foi distinguido com o projeto Echoes of the Void, vencedor do prémio WAFX 2025 na categoria Ageing and Health. O mesmo projeto foi ainda finalista na categoria Future Projects – Health, reforçando o reconhecimento da sua relevância conceptual e arquitetónica.
